12/6 – Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita 2026


Celebrado anualmente em 12 de junho, o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita visa educar as pessoas sobre o problema, de forma a aumentar a conscientização pública por meio de programas e campanhas e incentivar doações para fornecer apoio e pesquisa a instituições que atuam no cuidado a criança cardiopata.

As cardiopatias congênitas são as malformações mais comuns na criança, com uma incidência aproximada de 1 caso para cada 100 nascidos vivos. Mundialmente, por ano, nascem 130 milhões de bebês com algum tipo de cardiopatia congênita. No Brasil, são cerca de 21 mil e dessas, aproximadamente 6% morrem antes de completar um ano.

Cardiopatia congênita é qualquer anormalidade na estrutura ou na função do coração que surge nas primeiras oito semanas de gravidez, quando se forma o coração do bebê. É o defeito congênito mais comum e uma das principais causas de óbitos relacionadas a malformações congênitas.

A suspeição e o diagnóstico precoces podem impactar positivamente na qualidade de vida da criança e da família, por proporcionar tratamento adequado e multiprofissional antes que surjam repercussões mais graves, ou seja, identificar as cardiopatias congênitas no pré-natal ou logo após o nascimento permite intervenções que podem salvar vidas.


As cardiopatias congênitas ocorrem por alterações no desenvolvimento embrionário de uma estrutura cardíaca normal e as alterações do fluxo sanguíneo, resultantes desta falha, podem influenciar a evolução estrutural e funcional do restante do sistema circulatório.

Há vários tipos de malformações cardíacas que podem variar de lesões leves a graves, algumas necessitando de intervenção ainda intraútero. Entre as mais comuns estão as comunicações interatriais (comunicação anormal entre os átrios direito e esquerdo); as comunicações interventriculares (ligação entre os dois ventrículos por defeito no septo que também os separam); persistência do canal arterial; defeitos do septo atrioventricular; coarctação de aorta e tetralogia de Fallot. São cardiopatias com manifestações clínicas diferentes, que podem se apresentar tanto com sintomas mais leves ou evoluir com insuficiência cardíaca, a depender da gravidade das lesões.

Também existem defeitos na formação das válvulas cardíacas que podem se apresentar com estenose (estreitamento) ou insuficiência. No período neonatal, é necessário ter atenção aos problemas mais graves que vão impactar no bem-estar do bebê e que devem ser encaminhados para avaliação de cirurgia cardíaca antes da alta hospitalar, que são as chamadas cardiopatias críticas, como a transposição das grandes artérias (TGA) e a Síndrome da hipoplasia do coração esquerdo.

Dentre as causas de cardiopatia congênita estão vários fatores como, ambientais, genéticos, por uso de medicamentos e drogas, doenças maternas como diabetes e lúpus e infecções como a rubéola e a sífilis, que podem agir no momento da formação do coração do feto.


Sintomas:

Os principais sintomas que levantam suspeitas de cardiopatia na criança são: cansaço ou dificuldade para respirar; infecções respiratórias de repetição; ganho de peso insuficiente ou baixo desenvolvimento pondero-estatural.

Para os recém-nascidos e lactentes, observar ainda se há sudorese e interrupção das mamadas para “pegar fôlego”, o que denota esforço para algo que deveria ser natural; cianose, que é a cor arroxeada na pele, principalmente notada na face, nos lábios ou nas mucosas.

É importante investigar a presença de cardiopatia se houver suspeita de algumas síndromes genéticas em que a cardiopatia é uma associação frequente, como por exemplo Síndrome de Turner e Síndrome de Down.

Os clínicos ou pediatras também podem suspeitar da presença de uma cardiopatia ao notar arritmia ou som de sopro durante a ausculta do coração.


Fatores de risco:

Um dos fatores de risco para o desenvolvimento da cardiopatia congênita é a herança genética. Pais e mães com  a condição têm chance duas vezes maior de gerar um bebê cardiopata.


Tratamento:

Os cardiologistas são unânimes em afirmar que o ideal é corrigir o defeito estrutural. De acordo com cada caso, o bebê pode sofrer uma intervenção ainda no útero, ser submetido à cirurgia imediatamente após nascer ou aguardar meses ou anos para submeter-se à cirurgia.

O tratamento clínico é feito conforme o quadro apresentado pela criança, seja de cianose ou de insuficiência cardíaca. Algumas cardiopatias congênitas não necessitam de tratamento, uma vez que podem apresentar cura espontânea, como costuma acontecer com o canal arterial persistente no bebê prematuro e a maioria das comunicações interventriculares.

Já as cardiopatias que evoluem de forma mais grave geralmente apresentam a opção de tratamento cirúrgico, algumas vezes realizado já no período neonatal, outras vezes no lactente ou criança maior, conforme a necessidade.


Prevenção e controle:

Não há meios de prevenir o problema, porém, algumas mudanças comportamentais podem ajudar para o bom desenvolvimento do bebê.

Antes de engravidar, a mulher deve ter seu estado de saúde avaliado e iniciar a ingestão diária de uma vitamina chamada “ácido fólico”, pois sua deficiência pode ser um fator desencadeante de malformações cardíacas e do sistema nervoso central do feto. Além do acompanhamento médico, a grávida deve adotar uma alimentação saudável, abolir o fumo, as bebidas alcoólicas e o consumo de medicamentos sem o conhecimento do profissional que acompanha o pré-natal, inclusive para receber a prescrição do ácido fólico.

De acordo com os especialistas, grandes avanços vêm ocorrendo com a incorporação de novas tecnologias no tratamento e no aprimoramento dos serviços terciários de alta complexidade em cardiologia e cirurgia pediátrica e neonatal, inclusive com aumento expressivo do número de cardiologistas pediátricos e ecocardiografistas fetais e pediátricos em todo país.

A implementação do teste do coraçãozinho (exame para medir a oxigenação do sangue e os batimentos cardíacos do recém-nascido) * como ferramenta de triagem de cardiopatia crítica reduziu o número de recém-nascidos que recebiam alta das maternidades sem que a doença fosse detectada em tempo adequado.

*O teste do coraçãozinho faz parte do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) que, juntamente com o teste do pezinho, da orelhinha e do olhinho, avaliam as condições de saúde dos recém-nascidos e podem detectar problemas congênitos.


Fontes:

Associação Beneficente Síria: Hospital do Coração (SP)
Sociedade Brasileira de Pediatria
Hospitais Universitários Federais (HU Brasil)
Ministério da Saúde
Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs)
Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj)

Outras Notícias

Ver todas