“Vamos derrubar as barreiras” : 28/7 – Dia Mundial da Hepatite 2026


O Dia Mundial da Hepatite, celebrado em 28 de julho, todos os anos, foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2010. A data homenageia o aniversário do cientista norte-americano Baruch Samuel Blumberg, descobridor do vírus da hepatite B e ganhador do Prêmio Nobel.

O tema de 2026, “Hepatite: Vamos derrubar as barreiras”, é um chamado à eliminação dos obstáculos que se interpõem entre as pessoas e os serviços capazes de salvar suas vidas.


As ferramentas necessárias para eliminar as hepatites virais já existem: vacinas eficazes, diagnósticos precisos, tratamentos curativos para a hepatite C e terapias de longo prazo para a hepatite B podem prevenir infecções, salvar vidas e reduzir a incidência de câncer de fígado e cirrose. Apesar disso, milhões de pessoas permanecem sem diagnóstico, sem tratamento ou sem acesso aos cuidados de saúde devido ao estigma, à falta de informação, às lacunas nos sistemas de saúde e às desigualdades persistentes.

Os indicadores confirmam a gravidade da situação:

– 287 Milhões de pessoas viviam com hepatite B ou C crônica em 2024.
– As hepatites do tipo B e C crônicas são a principal causa de câncer de fígado no mundo.
– 1,3 Milhão de pessoas morreram de hepatite B e C crônica em 2024. A maioria nem sequer sabe que tem a doença, pois, muitas vezes não apresenta sintomas e a condição só é descoberta quando já é tarde demais.
– A cada ano, são registrados quase dois milhões de novos casos.
– Apenas 45% dos bebês receberam a vacina contra a hepatite B nas primeiras 24 horas após o nascimento em 2024.

Na região das Américas:

– 10 Milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C crônica.
– 8.000 Novas infecções por hepatite B a cada ano.
– 20.000 Mortes, além de 176.000 novas infecções por hepatite C e quase 38.000 mortes, anuais.

Embora a hepatite C tenha cura, apenas 26% das pessoas diagnosticadas na América Latina e no Caribe têm acesso ao tratamento. Na região, apenas 21% das pessoas que vivem com hepatite B são diagnosticadas, e apenas 4,4% recebem tratamento.

Se não forem tomadas medidas urgentes, estima-se que, até 2040, as hepatites virais causarão mais mortes anuais em todo o mundo do que a malária, a tuberculose e o HIV/AIDS combinados.


Mensagens-chave da campanha 2026

– Aproveitar a ciência e as políticas já existentes: Vacinas eficazes, diagnósticos precisos, tratamentos curativos para a hepatite C e terapias de longo prazo para a hepatite B já estão disponíveis e têm eficácia comprovada. Essas ferramentas podem prevenir infecções, interromper a transmissão e salvar milhões de vidas ao reduzir a incidência de doenças hepáticas e câncer de fígado. A prioridade agora é garantir a ampliação dessas intervenções e sua oferta equitativa a todos que delas necessitam, o que exige maior compromisso político, investimentos e responsabilização.

– Colocar as pessoas e as comunidades no centro da questão: O progresso duradouro depende da liderança e da participação dos indivíduos afetados. Quando as comunidades ajudam a definir políticas, programas e serviços, a resposta torna-se mais eficaz, transparente e capaz de atender às necessidades das pessoas.

– Garantir acesso equitativo aos serviços de saúde para todos:  Todas as pessoas devem poder se beneficiar dos serviços de prevenção, testagem, tratamento e assistência relacionados à hepatite recomendados pela OMS. Ampliar o acesso para populações vulneráveis ​​e com assistência insuficiente — por meio da prestação de serviços integrados e centrados nas pessoas — é fundamental para reduzir as desigualdades.

– Integrar os serviços de hepatite à cobertura universal de saúde: Os serviços de hepatite devem ser incorporados à atenção primária à saúde e aos sistemas de cobertura universal de saúde, de modo que a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a assistência estejam disponíveis ao longo de todo o ciclo de vida. Uma abordagem multissetorial e baseada nos direitos humanos é essencial para superar as barreiras de acesso.

– Acelerar a pesquisa e a inovação: Há oportunidade de mudar a trajetória das hepatites virais. Ao investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação para prevenção, detecção e tratamento dessas infecções virais — particularmente a hepatite B e a co-infecção pelos vírus da hepatite B e D —, bem como ao ampliar o acesso equitativo a tecnologias acessíveis e fomentar a colaboração entre setores, os países podem melhorar os resultados para milhões de pessoas.


Hepatites virais são infecções que atingem o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas. Entretanto, quando presentes, podem se manifestar como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Hepatites são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

No país, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, o vírus da hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da hepatite E, que é menos frequente no Brasil, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia.

As infecções causadas pelos vírus das hepatites B, C e D frequentemente se tornam crônicas. Contudo, por nem sempre apresentarem sintomas, grande parte das pessoas desconhece ter a infecção. Isso faz com que a doença possa evoluir por décadas sem o devido diagnóstico. O avanço da infecção compromete o fígado sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e necessidade de transplante do órgão.


Tipos de hepatite:

– Hepatite A: Uma infecção causada pelo vírus A (HAV) da hepatite, também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos, a hepatite A é uma doença de caráter benigno, contudo o curso sintomático e a letalidade aumentam com a idade. Saiba mais

– Hepatite B: Um dos cinco tipos de hepatite existentes no Brasil. Entre 2000 e 2023, 36,8% dos casos confirmados de hepatites virais no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) são referentes à hepatite B. Trata-se da segunda maior causa de morte entre as hepatites virais, tendo sido responsável por 21,7% dos óbitos relacionados a essas doenças entre 2000 e 2022 (Boletim Epidemiológico, 2024). Saiba mais

– Hepatite C: Um processo infeccioso e inflamatório causado pelo vírus C da hepatite e que pode se manifestar na forma aguda ou crônica, sendo esta segunda a forma mais comum. A hepatite crônica pelo HCV é uma doença de caráter silencioso que evolui sorrateiramente e se caracteriza por um processo inflamatório persistente no fígado. Saiba mais

– Hepatite D: Também chamada de Delta, é causada pelo vírus HDV. Esse vírus depende da presença da infecção pelo vírus HBV (hepatite B) para infectar um indivíduo. Existem duas formas de infecção pelo HDV: co-infecção simultânea com o HBV e superinfecção do HDV em um indivíduo com infecção crônica pelo HBV. Saiba mais

– Hepatite E: Uma infecção causada pelo vírus E (HEV). O vírus causa hepatite aguda de curta duração e autolimitada, sendo, na maioria dos casos, uma doença de caráter benigno. Entretanto, ocasionalmente, é possível que o paciente desenvolva uma hepatite fulminante, que pode ser fatal. Saiba mais


Como parte das comemorações alusivas ao Dia Mundial da Hepatite, a OMS promove o evento de alto nível: “Superando barreiras para acelerar a eliminação das hepatites”, que ocorrerá durante a realização do 26ª Conferência Internacional sobre AIDS.

Organizado pelo Governo do Brasil e pela OMS, o encontro oferecerá uma plataforma de diálogo sobre a ampliação do acesso a serviços de prevenção, testagem e tratamento das hepatites, bem como sobre o enfrentamento das barreiras que continuam a dificultar o progresso.

O evento buscará elevar a eliminação da hepatite na agenda global de saúde, aumentando sua visibilidade política e posicionando-a como uma prioridade no âmbito da cobertura universal de saúde, da atenção primária à saúde e dos esforços de desenvolvimento sustentável. Reforçará a necessidade de liderança sustentada, responsabilização e financiamento para alcançar as metas de eliminação para até 2030 e garantir que ninguém seja deixado para trás.

Data: 28 de julho de 2026
Horário: 08h00 – 10h00 (Hora de Brasília, Brasil)
Local: Centro de Convenções e Eventos Riocentro, Rio de Janeiro, Brasil


Acesse aqui a plataforma virtual da Conferência!


Já está disponível o Relatório Global sobre Hepatite de 2026 (documento em inglês), publicado pela OMS e que apresenta a avaliação mais abrangente e atualizada da carga global das hepatites B (HBV) e C (HCV), que, juntas, são responsáveis ​​por mais de 95% das mortes relacionadas a hepatites virais.


Fontes:

Ministério da Saúde
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Organização Pan-americana de Saúde (OPAS)
World Hepatitis Alliance

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