22/4 – Dia Nacional da Tontura


 

O Dia Nacional da Tontura, celebrado em 22 de abril, tem como principal objetivo informar e conscientizar a população geral e os profissionais da saúde sobre esse sintoma, bem como chamar a atenção para a importância do correto diagnóstico de sua causa.

A data marca o nascimento de Robert Barany, cientista austríaco que recebeu o Prêmio Nobel de 1914 em Fisiologia/Medicina por seu trabalho na área da otologia (estudo do ouvido) e considerado o criador da especialidade que estuda o universo das tonturas, chamada otoneurologia.

 

Apesar da inexistência de dados precisos, estudos apontam que a tontura está entre as principais queixas na medicina, atingindo uma prevalência de até 35% da população geral em algum momento da vida.

Diferentemente da vertigem, que é uma ilusão de movimento, a tontura é um termo amplo que abrange qualquer disfunção do equilíbrio, incluindo desequilíbrio (que envolve a tendência a quedas e a incapacidade de manter o equilíbrio) e a síncope ou desmaio.

A tontura pode ser referida pelo paciente de várias formas, como por exemplo, uma sensação de mal-estar, de fraqueza, de queda, embaçamento visual, escurecimento visual, sensação de desmaio, de cabeça vazia, etc.

Já na vertigem ocorre a percepção irreal de que as coisas estão rodando ao redor do indivíduo ou que o seu corpo está rodando (como se estivesse em um redemoinho), ou balançando (como se estivesse em um barco, ou andando em cima de um colchão).

Como tontura e vertigem são manifestações clínicas de doenças completamente diferentes, que necessitam de uma abordagem diagnóstica e terapêutica direcionada para o verdadeiro problema de saúde do paciente, é fundamental diferenciá-las.

Por exemplo, a tontura pode ser o sintoma de uma doença cardíaca, pulmonar, endocrinológica, desidratação, intoxicação, distúrbios metabólicos, infecções e distúrbios do sono. Além disso, é um sintoma muito frequente nas doenças psiquiátricas como depressão, ansiedade e outras.

A vertigem, por outro lado, é um sintoma que reflete o comprometimento do labirinto (estrutura óssea localizada no canal do ouvido – responsável pela audição e pelo equilíbrio) ou das suas conexões no cérebro.

Várias doenças do labirinto e do cérebro podem causar vertigem. Cada uma delas tem características específicas e seu diagnóstico e tratamento corretos são possíveis, muitas vezes, somente com as informações do paciente e com o exame físico neurológico específico para avaliar o labirinto e suas conexões, sendo desnecessário, na maioria das vezes, recorrer a exames complementares.

 

O termo ‘labirintite’ refere-se à inflamação do labirinto. Trata-se de uma doença rara, que acontece apenas em cerca de 0,5% de todos os pacientes que têm tontura ou vertigem.

É comumente utilizado de forma indiscriminada e errada para indicar a causa de tonturas ou vertigens, podendo levar à prescrição de medicações que têm efeitos colaterais, alguns deles muito graves.

 

Embora muitos casos de tontura sejam temporários e benignos, há alguns sinais de alerta que podem indicar a necessidade de uma avaliação médica urgente. Sendo assim, as pessoas precisam de atendimento imediato ao apresentarem, também, os seguintes sinais:

– Dor no peito, falta de ar e palpitações: estes podem ser sinais de um problema cardíaco e requerem avaliação para descartar condições graves, como um ataque cardíaco;
– Fraqueza no corpo, dificuldade em falar ou visão turva: podem indicar um acidente vascular cerebral (AVC);
– Dor de cabeça intensa e súbita, rigidez no pescoço e febre alta: são sintomas de meningite e exigem atenção médica urgente para evitar complicações;
– Queda ou desmaio: nesse caso, é importante procurar avaliação médica para determinar a causa e prevenir lesões decorrentes de quedas;
– Dificuldade em falar, mudança na visão e perda de equilíbrio: esses sinais podem indicar problema neurológico grave, como um tumor cerebral ou uma enxaqueca complicada.

 

Tratamento:

O tratamento depende da causa e dos sintomas associados. Pode passar pela realização de manobras que incidem sobre a posição da cabeça, pelo controle de doenças do ouvido interno, pela abordagem das enxaquecas ou da ansiedade. Considerando as suas várias origens, a terapêutica tem de ser individualizada e, com frequência, multidisciplinar.

 

Prevenção:

A tontura é um sintoma com várias causas sendo difícil preveni-la totalmente. Entretanto, é possível adotar algumas práticas para evitar seu surgimento ou piora ao longo do dia:

– Manter boa hidratação;
– Evitar o consumo de açúcar em excesso;
– Evitar a ingestão excessiva de bebidas energéticas e estimulantes, como café, energéticos e chá mate;
– Evitar o consumo de sal em excesso;
– Procurar não se levantar de maneira repentina;
– Alimentar-se corretamente, de preferência de 4 em 4 horas;
– Não fumar e evitar o consumo excessivo de bebidas alcóolicas;
– Procurar dormir bem, pelo menos 8 horas por dia;
– Fazer check-ups médicos pelo menos uma vez por ano.

 

Fontes:

Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
Conselho Federal de Fonoaudiologia
Dr. Dráuzio Varella
Hospital Regional de Mato Grosso do Sul
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Portuguesa de Neurologia

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