“Do Desafio à Mudança – Demonstrando o Impacto” : 15/2– Dia Internacional do Câncer na Infância

O Dia Internacional do Câncer Infantil, celebrado anualmente em 15 de fevereiro desde 2002, é uma oportunidade de demonstrar solidariedade com crianças e adolescentes com câncer e sobreviventes, aumentar a conscientização sobre a doença e apoiar as famílias afetadas em todo o mundo.
A data oferece uma plataforma para a comunidade global defender mudanças e compartilhar soluções, destacando-se, ainda, o papel vital das comunidades, profissionais, organizações e formuladores de políticas na melhoria dos resultados e na promoção do acesso igualitário ao tratamento.
Do Desafio à Mudança – Demonstrando o Impacto
2026 é o terceiro e último ano do triênio da campanha cujo foco foi ‘demonstrar o impacto’. O objetivo agora é mostrar como a comunidade global que atua no combate ao câncer infantil transformou desafios em ações e como os esforços coletivos estão impulsionando mudanças reais.
Mais de 400.000 crianças desenvolvem câncer a cada ano, sendo que a maioria vive em países de baixa e média renda, onde o acesso a diagnósticos, tratamentos e cuidados paliativos oportunos ainda é limitado e apenas 30% das crianças com câncer sobrevivem. Nos países de renda alta este percentual chega a 80% ou mais. Na região da América Latina e do Caribe cerca de 30.000 casos ocorrem todos os anos.
Em setembro de 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a Global Initiative for Childhood Cancer, que visa aumentar a taxa global de sobrevivência ao câncer infantil para pelo menos 60% até 2030. O programa busca, também, melhorar a qualidade de vida das crianças com câncer.
No âmbito da Iniciativa Global da OMS, a CureAll Américas representa a ação de muitos envolvidos na melhoria do atendimento e dos resultados para todas as crianças e adolescentes com câncer na América Latina e no Caribe.
São pilares técnicos e facilitadores da estrutura CureAll Americas:
– Centros de excelência: Regulamentação nacional do diagnóstico precoce e do encaminhamento; Reforço para a formação de profissionais multidisciplinares; Garantia de instalações com infraestrutura e tecnologias adequadas.
– Cobertura universal de saúde: Ampliação da cobertura de intervenções de alta prioridade; Inclusão do câncer infantil nos pacotes de benefícios.
– Regimes de tratamento: Guias e protocolos nacionais; Medicamentos e suprimentos de qualidade.
– Avaliação e Monitoramento: Fortalecimento dos registros de câncer; Utilização de uma estrutura de monitoramento para aprimorar a qualidade; Investimento em infraestrutura de pesquisa sobre câncer.
– Apoio: Geração de vontade política e impulso à implementação.
– Aumento do financiamento: Garantia de que as famílias não sofram dificuldades financeiras no tratamento da doença.
– Vinculação de políticas e governança: Otimização da coordenação e responsabilização para gerar impacto coletivo.
Câncer é um termo que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células que podem invadir tecidos adjacentes ou órgãos a distância. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores capazes de espalhar-se para outras regiões do corpo.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os cânceres mais frequentes em crianças são as leucemias, os de sistema nervoso central, além dos linfomas e sarcomas. Ocorrem, ainda, o nefroblastoma (tumor renal), neuroblastoma (tumor de gânglios simpáticos), retinoblastoma (tumor da retina do olho), dentre outros.
Entre os adolescentes, os mais comuns são neoplasias hematológicas (principalmente linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin), carcinomas (principalmente mama, tireoide, melanoma e ginecológico) e tumores de células germinativas.
O câncer infanto-juvenil tem particularidades que o diferenciam do câncer do adulto. Em geral, apresenta menor período de latência, costuma crescer rapidamente e torna-se bastante invasivo, porém, responde melhor à quimioterapia.
Sinais de alerta para o câncer infantil:
– Palidez, hematomas ou sangramento;
– Caroços ou inchaços, especialmente se forem indolores, sem febre ou outros sinais de infecção;
– Perda de peso inexplicada ou febre, tosse persistente ou falta de ar, suores noturnos;
– Alterações nos olhos, como: pupila branca, estrabismo de início recente, perda visual, hematomas ou inchaço ao redor dos olhos;
– Inchaço abdominal;
– Dores de cabeça, especialmente se for incomum, persistente ou grave, vômitos (em especial pela manhã ou com piora ao longo do dia);
– Dor em membros como braços ou pernas, ou dor óssea, inchaço sem trauma ou sinais de infecção;
– Fadiga, letargia ou mudanças comportamentais, como isolamento;
– Tontura, perda do equilíbrio ou da coordenação.
Tratamento do câncer infanto-juvenil:
Pela sua complexidade, o tratamento deve ser feito em centros especializados. Compreende três modalidades principais: quimioterapia, cirurgia e radioterapia, sendo aplicado de forma racional e individualizada para cada tumor específico e de acordo com a extensão da doença.
O tratamento é planejado conforme o diagnóstico do tumor, as características biológicas e a presença ou não de doença à distância (metástase).
O trabalho coordenado de vários especialistas (oncologistas pediatras, cirurgiões pediatras, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos) também é determinante para o sucesso do tratamento.
Tão importante quanto o tratamento da doença em si é a atenção dada aos aspectos sociais, uma vez que crianças e adolescentes doentes devem receber assistência integral, no seu contexto familiar. A cura não deve se basear somente na recuperação biológica, mas também no bem-estar e na qualidade de vida do indivíduo. Nesse sentido, deve ser dado suporte psicossocial ao paciente e aos seus familiares desde o início do tratamento.
Ressalta-se que os serviços habilitados no Sistema Único de Saúde (SUS) são capazes de realizar a confirmação diagnóstica do câncer e a condução do tratamento em crianças e adolescentes.
Prevenção:
Diferentemente do câncer em adultos, não há evidências científicas que esclareçam a associação entre a doença e os fatores ambientais. Assim, a prevenção é um desafio para o futuro. Atualmente, a ênfase deve ser dada ao diagnóstico precoce e à orientação terapêutica de qualidade.
Como parte das atividades alusivas à campanha de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) promove o webinar “From Evidence to Action: Regional Tools to Improve Childhood Cancer Care”.
O evento oferecerá uma visão prática e aplicada de como os países podem usar esses recursos para melhorar o acesso a medicamentos essenciais, fortalecer os programas de transplante de células-tronco hematopoiéticas, apoiar sobreviventes de câncer infantil e reforçar o atendimento psicossocial a pacientes e suas famílias.
Webinar: From Evidence to Action: Regional Tools to Improve Childhood Cancer Care
Data: 17 de fevereiro de 2026
Horário: 13h (Hora de Brasília, Brasil)
Idiomas: Português, inglês, espanhol (com tradução simultânea)
Inscrições, aqui!
Fontes:
Agência Brasil
Childhood Cancer International (CCI)
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
Instituto Nacional de Câncer (Inca)
International Society of Paediatric Oncology
