19/4 – Dia Mundial da Síndrome do Intestino Irritável 2026

O Dia Mundial da Síndrome do Intestino Irritável (SII), celebrado em 19 de abril, desde 2019, foi criado e é coordenado pelo Irritable Bowel Syndrome Patient Support Group, com o objetivo de unir pacientes, familiares e profissionais de saúde para aumentar a conscientização sobre a SII – um distúrbio que afeta o funcionamento do trato gastrointestinal.
Diferentemente do que ocorre nas doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, na SII não há inflamação visível, úlceras, tumores ou lesões estruturais que expliquem os sintomas, porém, mesmo não havendo alterações anatômicas detectáveis, não significa que seja um problema “psicológico” ou irrelevante.
A condição é frequentemente estigmatizada e mal compreendida, mas a dor é genuína e pode ser intensa, com importante impacto na qualidade de vida das pessoas afetadas.
Acomete entre 5 a 10% da população adulta, com nítido predomínio por pacientes jovens do sexo feminino.
Os principais sintomas incluem:
– Distensão abdominal (sensação de inchaço);
– Excesso de gases;
– Dor ou cólica abdominal;
– Diarreia;
– Constipação;
– Alternância entre diarreia e constipação.
Em muitos casos, o desconforto piora ao longo do dia, fazendo com que a roupa fique mais apertada no fim da tarde ou que a pessoa evite compromissos sociais por receio do mal-estar.
Causas:
A síndrome do intestino irritável é considerada uma condição de causa multifatorial. Isso significa que não há um único gatilho responsável pelo seu surgimento. O quadro costuma resultar da combinação de diferentes mecanismos biológicos e psicossociais.
Entre os principais fatores envolvidos estão alterações na motilidade intestinal (o intestino contrai rápido demais ou mais lentamente do que deveria), hipersensibilidade visceral (aumento da percepção de dor em estímulos que seriam normais), desequilíbrio na microbiota intestinal, episódios prévios de infecção gastrointestinal e desregulação do chamado eixo cérebro-intestino — sistema de comunicação bidirecional entre o sistema nervoso central e o trato digestivo.
Na prática, é como se o intestino funcionasse em “modo de alerta”. Movimentos normais da digestão passam a ser percebidos como dor, a produção de gases gera distensão mais intensa e pequenas mudanças na alimentação ou na rotina provocam grande repercussão nos sintomas.
É nesse contexto que fatores emocionais ganham relevância. Estresse crônico, ansiedade, depressão e distúrbios do sono não causam diretamente a síndrome, mas podem atuar como amplificadores. Situações de tensão aumentam a liberação dos hormônios do estresse, que interferem na motilidade intestinal, na permeabilidade da mucosa e na forma como o cérebro processa os sinais de dor vindos do abdômen.
Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas relatam piora das crises em períodos de sobrecarga no trabalho, conflitos familiares ou antes de eventos importantes. Um paciente pode passar semanas relativamente estável e, diante de um momento de maior pressão emocional, apresentar aumento da dor abdominal, mais episódios de diarreia ou sensação intensa de inchaço.
Tratamento:
A SII não tem cura definitiva, mas é tratável. Quando bem conduzido, esse cuidado pode proporcionar melhora significativa da qualidade de vida. O manejo costuma se apoiar em quatro pilares principais:
- Ajustes na alimentação
Não existe uma “dieta padrão” que funcione para todos; cada paciente precisa de avaliação individualizada. Um erro frequente é cortar completamente glúten e lactose por conta própria. A exclusão total só é indicada quando há intolerância comprovada.
Retirar grupos alimentares sem orientação pode levar a carências nutricionais e até piorar os sintomas ao empobrecer a diversidade alimentar e impactar negativamente a microbiota intestinal.
O ideal é o acompanhamento conjunto com médico e nutricionista para identificar alimentos que desencadeiam sintomas específicos.
Em determinados casos pode-se considerar estratégias como dieta com redução de um conjunto de alimentos fermentáveis que são mal absorvidos pelo intestino delgado, causando fermentação, gases e desconforto abdominal, sempre sob orientação especializada.
- Modulação da microbiota
A composição das bactérias intestinais, a chamada microbiota, pode estar desequilibrada em parte dos pacientes, fenômeno conhecido como disbiose. Atualmente, já existem exames de sequenciamento da microbiota que ajudam a avaliar esse perfil. Em alguns casos, pode haver indicação de probióticos específicos, que só devem ser consumidos com acompanhamento profissional.
- Regulação emocional
Psicoterapia, técnicas de relaxamento e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico, podem ser parte essencial do tratamento. Isso não significa que a doença “esteja na cabeça”, mas o reconhecimento de que o eixo cérebro-intestino desempenha papel central na intensidade dos sintomas.
- Medicamentos
A escolha do tratamento deve ser personalizada, considerando subtipo da síndrome e intensidade dos sintomas. Dependendo do perfil clínico, podem ser utilizados medicamentos para dor, para controlar a diarreia, para auxiliar na constipação, além de antidepressivos em doses baixas, com o objetivo de reduzir a hipersensibilidade visceral, e moduladores da motilidade intestinal.
Fontes:
Dr. Dráuzio Varella
Federação Brasileira de Gastroenterologia
Irritable Bowel Syndrome Patient Support Group
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
