Novembro e Novembrinho Azul – Mês de conscientização sobre a saúde do homem e de meninos de até 15 anos de idade


Novembro Azul é uma campanha destinada a sensibilizar homens, gestores e profissionais de saúde sobre o autocuidado e cuidado integral da saúde, considerando os fatores socioculturais relacionados à masculinidade e ao adoecimento.

O movimento chama a atenção para o fato de que a saúde masculina vai muito além da prevenção do câncer de próstata. Cuidar do corpo e da mente é essencial em todas as fases da vida. Além de consultas médicas e exames de rotina, adotar hábitos saudáveis faz diferença no bem-estar e na prevenção de diversas doenças. Algumas escolhas ajudam a manter a saúde em dia:

– Não fumar;
– Manter uma alimentação equilibrada;
– Praticar atividade física regularmente;
– Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas;
– Controlar o peso e evitar o sedentarismo;
– Dormir bem e gerenciar o estresse;
– Manter a caderneta de vacinação atualizada;
– Procurar acompanhamento médico periódico.

O cuidado também envolve falar abertamente sobre saúde, superar preconceitos e buscar ajuda sempre que algo parecer fora do comum. Pequenas atitudes no presente fazem grande diferença no futuro!


O Brasil é o único país da América Latina com uma política de saúde específica para a população masculina: a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), cujo objetivo é promover a melhoria das condições de saúde da população masculina brasileira, contribuindo, de modo efetivo, para a redução da morbidade e da mortalidade desse grupo, abordando de maneira extensiva os fatores de risco e vulnerabilidades associados. Através da promoção do acesso a serviços de saúde abrangentes e ações preventivas, a política busca também reconhecer e respeitar as diversas manifestações de masculinidade.

Para alcançar seu objetivo, a PNAISH deve ser desenvolvida a partir de cinco eixos temáticos:

Acesso e acolhimento: objetiva reorganizar as ações de saúde, por meio de uma proposta inclusiva, na qual os homens considerem os serviços de saúde também como espaços masculinos e, por sua vez, os serviços os reconheçam como sujeitos que necessitam de cuidados e acesso à saúde;

Saúde sexual e reprodutiva: promove a abordagem às questões sobre a sexualidade masculina, nos campos psicológico, biológico e social. Busca respeitar o direito e a vontade do indivíduo de planejar, ou não, ter filhos;

Paternidade e cuidado: busca sensibilizar gestores (as), profissionais de saúde e a sociedade em geral sobre os benefícios da participação ativa dos homens no exercício da paternidade em todas as fases da gestação e nas ações de cuidado com seus (suas) filhos (as), destacando como este envolvimento pode contribuir a saúde, bem-estar e fortalecimento de vínculos saudáveis entre crianças, homens e suas (seus) parceiras (os);

Prevenção de violências e acidentes: visa a conscientização sobre a relação significativa entre a população masculina e violências e acidentes. Propõe estratégias preventivas na saúde, envolvendo profissionais e gestores da área e toda a comunidade.

Doenças prevalentes na população masculina: reforça a importância da atenção primária no cuidado à saúde dos homens, facilitando e garantindo o acesso e a qualidade dos cuidados necessários para lidar com fatores de risco de doenças e agravos à saúde mais prevalentes na população masculina, tais como:

– Doenças cardiovasculares como hipertensão, aterosclerose e acidente vascular cerebral (AVC);
– Doenças hepáticas: problemas no fígado, muitas vezes associados ao consumo excessivo de álcool e a esteatose (gordura no fígado);
– Alguns tipos de câncer, como próstata e pulmão;
– Diabetes;
– Transtornos mentais e emocionais;


Informações epidemiológicas

– Apesar do aumento da expectativa de vida entre 2000 e 2018, os homens ainda vivem 7,1 anos a menos que as mulheres;
– Os homens morrem mais do que as mulheres, na maioria das causas de óbitos e em todas as faixas etárias até 80 anos;
– O risco de homens morrerem por doenças crônicas não-transmissíveis, principalmente por doenças cardiovasculares e doenças respiratórias crônicas, é 40% a 50% maior em relação às mulheres;
– Ainda para as doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas, esse risco é aumentado entre os homens que fazem uso prejudicial de álcool, possuem dieta e estilo de vida pouco saudáveis, com pressão alta e/ou alto índice de massa corporal, conforme a pesquisa Vigitel 2020;
– De acordo com Sociedade Brasileira de Urologia, a cada semana, nove homens têm o pênis amputado no país, em decorrência de câncer de pênis, que poderia ser evitado de forma muito simples: água, sabão e lavagem adequada;
– A vacina do HPV, que deve ser aplicada entre os 9 e 14 anos de idade, é a única capaz de prevenir diferentes tipos de câncer, mas o Brasil ainda enfrenta níveis muito baixos de cobertura vacinal, principalmente no público masculino: apenas 36% dos meninos e 55% das meninas completaram o esquema de duas doses, enquanto o índice ideal seria acima de 90%;
– Seis em cada dez homens só procuram um médico quando os sintomas são insuportáveis.


Mudança de hábitos e de valores culturais

Apesar da melhoria no acesso a informação, muitos homens ainda negligenciam a saúde e realizam menos consultas médicas e ações de autocuidado. Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo mostra que 70% das pessoas do sexo masculino que procuram um consultório médico tiveram a influência da companheira ou dos filhos. O estudo também revela que mais da metade desses pacientes adiaram a ida ao médico e já chegaram com doenças em estágio avançado.

Culturalmente, há uma crença de que os cuidados estão vinculados às mulheres, de que seria um papel feminino elas cuidarem de si como de outras pessoas da família. Neste caso, há poucos homens que se cuidam e que cuidam de outras pessoas. Há, ainda, a ideia de que o homem deve ser sempre forte, não demonstrar fragilidades e que as doenças são vistas como sinal de fraqueza e, portanto, devem ser negadas.

Mudar valores e crenças é importante e necessário para auxiliar os homens a terem espaço para refletir sobre a própria saúde, tanto nos aspectos físicos como mentais.


Novembrinho azul

Em 2023, a Lei nº 14.694 instituiu no país uma campanha complementar voltada para a saúde de meninos de até 15 anos, com ações que incluem: a conscientização sobre o HPV (papilomavírus humano), a investigação precoce de dores testiculares e aumento de volume da bolsa escrotal, diagnóstico e tratamento precoce de condições que sejam fatores de risco para doenças na vida adulta e o incentivo à capacitação de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para atender a essa faixa etária.

Cuidar da saúde deve começar cedo. Educar os meninos a procurar ajuda médica e a ter o hábito de se consultar é uma tarefa complexa. Porém, felizmente, esse costume vem mudando nos últimos anos, com homens e meninos mais conscientes da importância dos diagnósticos precoces. Movimentos como o Novembro e o Novembrinho Azul são pontos de apoio importantes para que a saúde do homem seja acompanhada com toda a atenção, desde a infância e a adolescência.


Fontes:

Hospital Sírio-Libanês
Hospital Vera Cruz (Campinas / SP)
Imagem: Casa Militar / Governo do Estado do Ceará
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG)
Ministério da Saúde
Saúde Naval

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