“Navegando Juntos pelo Linfoma e pela Leucemia Linfocítica Crônica” : 15/9 – Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas 2026


O Dia Mundial de Conscientização sobre Linfomas foi instituído em 2004 pela Lymphoma Coalition — uma rede de organizações de pacientes que apoiam pessoas afetadas pela condição e que conta com mais de 100 organizações-membro representando cerca de 55 países.

Para a campanha de 2026, a comunidade global se une por meio do slogan “Navegando Juntos pelo Linfoma e pela Leucemia Linfocítica Crônica*”. Este tema pretende destacar os desafios que as pessoas podem enfrentar ao longo do diagnóstico, do tratamento, da fase de sobrevivência e além. Também reconhece o papel fundamental das organizações de pacientes como guias de confiança que oferecem informações seguras, apoio prático, educação e compaixão em todas as etapas da jornada.

Obs.: *A leucemia é um tipo de câncer das células sanguíneas da medula óssea, em sua maioria os glóbulos brancos, cuja origem é geralmente desconhecida. A Leucemia Linfocítica Crônica (LCC), também mencionada no slogan da campanha mundial, afeta os linfócitos B do sistema imunológico e ocorre principalmente em indivíduos adultos, geralmente a partir dos 50 anos. Tem crescimento mais lento e raramente acomete crianças.


Dentre os desafios enfrentados pelas pessoas acometidas por estes tipos de câncer (Linfoma e LCC), destacam-se:

– Ser encaminhado para uma bateria de exames;
– Muitas perguntas, poucas respostas;
– Receber um diagnóstico incorreto;
– Não compreender o subtipo do linfoma;
– Sentir-se confuso e solitário;
– Sentir-se sobrecarregado com informações científicas;
– Fazer escolhas sem compreender totalmente a situação;
– Não conseguir dormir;
– Ter a vida virada de cabeça para baixo;
– Efeitos colaterais inesperados;
– Perder o cabelo;
– Ansiedade;
– Fadiga relacionada ao câncer;
– Medo de que o câncer retorne.

Com base nas situações descritas acima, vivenciadas pelas pessoas afetadas pela doença, a Lymphoma Coalition as convida a participarem do movimento: “Nenhum Paciente Percorre esse Caminho Sozinho”. Compartilhar sua trajetória com outros pacientes que estejam vivendo essa realidade ajuda a fazê-los se sentir vistos, compreendidos e apoiados.

Para participar é necessário:

– Escolher um dos desafios vivenciados durante o processo de diagnóstico, tratamento ou a jornada de sobrevivência e compartilha-lo nas redes sociais;

– Incentivar amigos, familiares, profissionais de saúde e outras pessoas da comunidade a participarem também;

– Usar a hashtag da campanha #WLAD2026 e marcar a ‘Lymphoma Coalition’ para que a mensagem possa ser vista e multiplicada.


“Linfoma” é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, conjunto composto por órgãos (linfonodos ou gânglios) e tecidos que produzem as células responsáveis pela imunidade e os vasos que conduzem essas células através do corpo.

A condição compromete o pleno funcionamento do sistema de defesa do organismo, que passa a ser menos efetivo no combate a infecções.

Atualmente, o termo engloba cerca de 60 tipos de doenças, divididas em dois grandes grupos: os Linfomas de Hodgkin (LH) e os Linfomas não Hodgkin (LNH). O nome faz referência ao patologista britânico Thomas Hodgkin (1798-1866), o primeiro a descrever um caso de câncer nos gânglios linfáticos.

O linfoma de Hodgkin tem a característica de se espalhar, de forma ordenada, de um grupo de linfonodos para outro grupo, por meio dos vasos linfáticos. A doença surge quando um linfócito (célula de defesa), mais frequentemente do tipo B, se transforma em uma célula maligna capaz de multiplicar-se descontroladamente e disseminar-se. A célula maligna começa a produzir cópias idênticas nos linfonodos, também chamadas de clones. Com o passar do tempo, essas células malignas podem se disseminar para tecidos próximos e, se não tratadas, passam a atingir outras partes do corpo. A doença origina-se com maior frequência na região do pescoço e na região do tórax denominada mediastino.

O LH pode ocorrer em qualquer faixa etária, porém é mais comum entre adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e idosos (75 anos ou mais). Os homens têm maior propensão a desenvolve-lo do que as mulheres.

A incidência de casos novos permaneceu estável nas últimas cinco décadas, enquanto a mortalidade foi reduzida em mais de 60% desde o início dos anos 1970 devido aos avanços no tratamento. A maioria dos pacientes pode ser curada com a terapia disponível atualmente.

No Brasil, as estimativas de novos casos de LH para 2026 a 2028 indicam 3.070 novos casos, sendo 1.740 homens e 1.330 mulheres para cada ano do triênio. O número de mortes é de 601, sendo 361 homens e 240 mulheres (dados de 2024).


O linfoma não Hodgkin (LNH) é um tipo de câncer que também tem origem nas células do sistema linfático, porém, se espalha de maneira não ordenada.

Como o tecido linfático é encontrado em todo o corpo, o linfoma pode começar em qualquer lugar. Existem mais de 20 tipos de LNH passíveis de acometer crianças, adolescentes e adultos, mas de modo geral, torna-se mais comum à medida que as pessoas envelhecem.

Por razões ainda desconhecidas, o número de casos duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos.

Entre os linfomas, é o tipo mais incidente na infância. Os homens são mais predispostos do que as mulheres.

A estimativa de novos casos de LNH no Brasil para 2026 a 2028 é de 12.560 novos casos, sendo 6.580 homens e 5.980 mulheres para cada ano do triênio. O número de mortes é de 5.046, sendo 2.753 homens e 2.293 mulheres (dados de 2024).


Causas:

Ainda não se sabe ao certo quais causas exatas estão por trás do desenvolvimento de um linfoma. Porém, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), alguns fatores de risco podem estar associados ao seu surgimento, tais como:

– Pessoas que vivem com condições imunossupressoras (vírus HIV e da hepatite C) ou sistema imunológico debilitado.

– Pessoas que trabalham frequentemente expostas a substâncias tóxicas (agricultores, cabeleireiros, pintores, etc.) também podem ser mais afetadas.

Casos hereditários do câncer linfático são raros. Na maioria das vezes, sua ocorrência representa eventos esporádicos, que não se repetem necessariamente em outros membros da família.


Sintomas mais comuns:

– Linfonodomegalia (aumento dos gânglios e formação de nódulos);
– Perda de peso significativa;
– Fadiga e fraqueza;
– Coceira intensa e persistente na pele, sem erupções cutâneas;
– Tosse e falta de ar;
– Febre diária e persistente por mais de duas semanas;
– Aumento considerável da sudorese noturna.

É importante destacar que, mesmo sendo um sintoma típico do linfoma, o aumento dos gânglios pode estar relacionado a outros problemas de saúde, como algumas infecções. Nesses casos, o inchaço costuma ser abrupto e provocar dor. No câncer, por outro lado, a linfonodomegalia aumenta de forma contínua e gradativa, podendo perdurar por semanas e se manifestar em várias regiões do corpo ao mesmo tempo.


Tratamento:

Considerando que os linfomas contemplam cerca de 60 doenças, é muito difícil falar de um único tratamento pois as abordagens variam de acordo com cada subtipo e estágio de evolução.

Em alguns casos, a recomendação é de radioterapia ou quimioterapia, enquanto em outros pode ser preciso empregar técnicas de terapia-alvo, imunoterapia ou até transplante de células-tronco. A definição do tipo de tratamento que será empregado cabe exclusivamente ao paciente e à equipe médica que o acompanha.

Prevenção:

Não existem formas conhecidas de prevenir o desenvolvimento do linfoma. Entretanto, manter um estilo de vida saudável pode oferecer melhores condições para tolerar o tratamento da doença, caso ela venha a aparecer. Para tanto, recomenda-se:

– Manter uma rotina de exercícios físicos regulares;
– Seguir uma dieta balanceada;
– Não ser tabagista;
– Evitar o consumo exagerado de bebidas alcoólicas.


Fontes:

Instituto Nacional de Câncer (Inca)
Lymphoma Action (UK)
Lymphoma Coalition (Canada)
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein

Outras Notícias

Ver todas