“Saúde Renal para Todos: cuidar de pessoas e proteger o planeta” : 12/3 – Dia Mundial do Rim 2026

O Dia Mundial do Rim, que ocorre na 2ª quinta-feira do mês de março desde 2006, é uma iniciativa conjunta da International Society of Nephrology (ISN) e da International Federation of Kidney Foundations – World Kidney Alliance (IFKF-WKA).
A campanha tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a importância dos rins para a saúde geral e reduzir a frequência e o impacto das doenças renais e seus problemas associados em todo o mundo.
No Brasil, a cada edição, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) tem a honra de coordenar, em todo o país, as ações que marcam esta data, com o propósito de conscientizar a população sobre as doenças renais e promover a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado.
O tema de 2026 – “Cuidar de pessoas e proteger o planeta” – traduz a essência dessa missão. É um propósito que une empatia e responsabilidade. Ele nos convida a refletir sobre a necessidade de uma política de saúde inclusiva e sustentável, que assegure equidade no cuidado e acesso universal ao diagnóstico e à terapia renal substitutiva.
Ainda convivemos com profundas desigualdades no acesso à saúde renal. Em diversas regiões do Brasil e do mundo, persistem barreiras que impedem milhares de pessoas de receber o tratamento de que necessitam. Estima-se que, apenas em nosso país, cerca de 50 mil brasileiros com doença renal crônica morram anualmente antes de terem acesso à diálise ou ao transplante.
Celebrada este ano, em 12 de março, a data tem uma ampla programação em todo o território nacional. Estão previstas ações voltadas a governantes, legisladores, educadores, profissionais de saúde e à população em geral, buscando ampliar o alcance e o impacto da campanha.
Serão produzidos materiais de comunicação e peças publicitárias para uso em eventos locais e nacionais, além de atividades educativas, aulas abertas, campanhas de Ligas Acadêmicas, iluminação de monumentos e prédios públicos, e uma forte mobilização nas redes sociais, alcançando mais de 1.200 localidades em todo o país.
A Sociedade Brasileira de Nefrologia acredita que o sucesso dessa campanha depende do engajamento de todos – profissionais, instituições e sociedade civil.
A doença renal crônica (DRC) é um grande e crescente desafio global de saúde, afetando 1 em cada 10 pessoas em todo o mundo. Frequentemente silenciosa em seus estágios iniciais, a DRC pode progredir despercebida até causar graves consequências à saúde, impactando profundamente indivíduos, famílias e comunidades.
A doença aumenta significativamente o risco de complicações cardiovasculares, reduz a qualidade de vida e pode evoluir para insuficiência renal, onde a sobrevivência depende de terapias de substituição renal que mantêm a vida, como diálise ou transplante.
Sua carga é distribuída de forma desigual, afetando desproporcionalmente as populações desfavorecidas e exacerbando as desigualdades em saúde existentes. A detecção precoce pode salvar vidas. Testes simples, não invasivos e econômicos, por meio de exames de sangue e urina, podem identificar disfunções renais, permitindo intervenções oportunas que retardam a progressão da doença.
A segmentação de populações de alto risco – pessoas com diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade ou histórico familiar de doença renal – é altamente eficaz. Programas comunitários podem expandir o acesso para as populações carentes. A detecção precoce da DRC não apenas preserva a função renal, mas também reduz a necessidade de tratamentos que exigem muitos recursos e melhora os resultados em longo prazo.
As mudanças ambientais agravam este fardo. Os riscos relacionados com o clima – poluição atmosférica, estresse térmico, desidratação e fenômenos meteorológicos extremos – agravam os riscos da DRC e aceleram a sua progressão. O aumento das temperaturas globais também alimenta a propagação de doenças tropicais que podem danificar os rins.
Ao mesmo tempo, os tratamentos para a doença renal terminal, em particular a diálise, são intensivos em recursos: requerem grandes volumes de água, energia e plásticos de utilização única, e geram emissões de gases de efeito estufa. Uma única sessão de hemodiálise pode ter uma pegada de carbono equivalente a conduzir um carro durante quase 240 quilômetros. Isto cria um ciclo de retroalimentação: a doença renal e as alterações climáticas agravam-se mutuamente.
Um ponto de virada global chegou. Na 78ª Assembleia Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou sua primeira resolução dedicada à doença renal. Esta decisão histórica eleva a saúde renal a uma prioridade de saúde pública no planeta, reconhecendo o Dia Mundial do Rim como uma comemoração formal e incentivando ações de prevenção, conscientização, acesso ao tratamento e redução de riscos ambientais.
Chamado à ação
Como compromisso das múltiplas partes interessadas em construir um futuro mais saudável, mais equitativo e mais sustentável para a saúde renal, o movimento apela aos governos, aos sistemas de saúde, à indústria e às comunidades para que ajam em conjunto com vistas a:
– Priorizar a prevenção, a detecção precoce e o tratamento oportuno da doença renal. Promover as 8 Regras de Ouro para a saúde renal, integrar os testes de DRC aos cuidados de rotina para populações de alto risco e fortalecer as campanhas de conscientização pública para incentivar a detecção precoce e o tratamento preventivo, reduzindo, em última análise, a necessidade de intervenções hospitalares.
– Promover o acesso equitativo ao transplante. Expandir o acesso ao transplante preventivo e precoce não só melhora a sobrevivência e a qualidade de vida, como também reduz a dispendiosa dependência da diálise, diminui o desperdício e as emissões de plástico e combate as disparidades globais.
– Transformar a diálise em direção à sustentabilidade. Acelerar inovações em terapias com menor impacto ambiental, priorizar opções domiciliares, como a diálise peritoneal, e promover práticas ecologicamente corretas, como o reuso de água e a reciclagem de materiais, garantindo que a qualidade do atendimento nunca seja comprometida.
– Proteger as necessidades dos pacientes em cuidados renais sustentáveis. A sustentabilidade nunca deve ser feita às custas dos pacientes. As iniciativas devem focar em ineficiências sistêmicas (por exemplo, máquinas com eficiência energética, suprimentos livres de toxinas) e incluir a voz dos pacientes para garantir confiança, transparência e co-benefícios.
– Investir em modos de implementação para todos os contextos. Fortalecer políticas e financiamento, construir parcerias entre governos e empresas para apoiar a inovação e apoiar soluções práticas para ambientes com poucos recursos – como transferência de tarefas, clínicas móveis e cicladores manuais de diálise peritoneal.
Os rins são órgãos fundamentais para o bom funcionamento do corpo. Sua principal função é remover os resíduos e o excesso de água do organismo e, também:
– Excreção de produtos finais de diversos metabolismos;
– Produção de hormônios;
– Controle do equilíbrio hidroeletrolítico;
– Controle do metabolismo ácido-base;
– Controle da pressão arterial.
Doença renal crônica é um termo genérico para as alterações heterogêneas que afetam tanto a estrutura quanto a função renal, com múltiplas causas e múltiplos fatores de risco. Trata-se de uma doença de curso prolongado, que pode parecer benigna, mas que muitas vezes se torna grave. Na maioria dos casos, a evolução é assintomática, fazendo com que o diagnóstico seja feito tardiamente.
Os principais fatores de risco para as doenças renais crônicas são:
– Diabetes (quer seja do tipo 1 ou do tipo 2);
– Hipertensão, definida como valores de pressão arterial acima de 140/90 mmHg em duas medidas com um intervalo de 1 a 2 semanas;
– Idosos;
– Obesidade (IMC > 30 Kg/m²);
– Histórico de doença do aparelho circulatório (doença coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica, insuficiência cardíaca);
– Histórico de Doença Renal Crônica na família;
– Tabagismo;
– Uso de agentes nefrotóxicos, principalmente medicações que necessitam de ajustes em pacientes com alteração da função renal.
Tratamento:
O tratamento dos pacientes com doenças renais crônicas baseia-se nos estágios da doença, podendo ser conservador, pré-diálise e Terapia Renal Substitutiva (TRS), conforme cada caso.
A Terapia Renal Substitutiva é uma das modalidades de substituição da função renal por meio dos seguintes procedimentos:
– Hemodiálise;
– Diálise peritoneal;
– Transplante renal.
O SUS oferta duas modalidades de Terapia Renal Substitutiva para os pacientes com DRC.
– Hemodiálise: procedimento que bombeia o sangue através de uma máquina e um dialisador, para remover as toxinas do organismo. O tratamento acontece em clínica especializada três vezes por semana.
– Diálise peritoneal: realizada diariamente na casa do paciente, é feita por meio da inserção de um cateter flexível no abdome para infundir uma solução que remove toxinas e líquidos.
Pacientes com indicação para receber transplante renal têm acesso ao procedimento, integral e gratuitamente, por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
Prevenção:
Cuidar da saúde global ajuda a proteger a saúde do rim. As recomendações incluem:
– Praticar exercícios físicos regulares;
– Evitar o excesso de sal, carne vermelha e gorduras;
– Controlar o peso corporal;
– Controlar a pressão arterial;
– Controlar os níveis de colesterol e de glicose;
– Não fumar;
– Não abusar de bebida alcoólica;
– Evitar o uso de anti-inflamatórios não hormonais;
– Ter cuidado com quadros de desidratação;
– Realizar, uma vez por ano, exames laboratoriais para avaliar a saúde dos rins: dosagem de creatinina no sangue e análise de urina;
– Consultar regularmente o clínico;
– Não fazer uso de medicamentos sem prescrição médica.
Como parte dos eventos alusivos ao Dia Mundial do Rim, a SBN divulgou um Guia de Atividades que ocorrerão por todo o país!
E a Academia Nacional de Medicina (ANM) promove um evento híbrido, também em comemoração à data:
Dia 12/3/2026, às 16h, na sede da ANM: Av. General Justo, 365 – 7º andar / 20021-130 – Rio de Janeiro
Acesso virtual por meio desse link!
Informações disponíveis aqui!
Fontes:
International Society of Nephrology (ISN)
Ministério da Saúde
Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)
