“Uma boca feliz é… uma vida feliz” : 20/3 – Dia Mundial da Saúde Oral 2026

O Dia Mundial da Saúde Oral, comemorado anualmente em 20 de março desde 2007, é uma campanha promovida pela World Dental Federation com o objetivo de chamar a atenção sobre a importância da ampliação de ações em saúde oral em todo o mundo.
Com o propósito de capacitar as pessoas com o conhecimento, as ferramentas e a confiança necessárias para garantir uma boa saúde bucal, o movimento pede união para que se possa ajudar a reduzir o impacto das doenças orais, que afetam indivíduos, sistemas de saúde e economias, globalmente.
O tema do triênio 2024-2026 “Uma boca feliz é…” representa uma maneira simples, porém poderosa de capturar a natureza multifacetada da saúde bucal de forma concisa e acessível, destacando o papel essencial que a saúde da boca desempenha no bem-estar geral ao longo da vida, da infância à terceira idade. Ao promover hábitos saudáveis e cuidados regulares em todas as fases da vida, as pessoas tornam-se capazes de sorrir, comer, falar e viver com confiança — porque uma boca feliz é… uma vida feliz.
Na celebração da data, o Conselho Federal de Odontologia do Brasil reforça a mensagem de que prevenção e orientação no âmbito da odontologia são fatores fundamentais para a qualidade de vida e saúde geral da população.
As ações preventivas englobam um vasto conjunto de medidas que garantem a saúde da boca e o bem-estar do indivíduo. Essas ações abrangem diversos aspectos como, por exemplo, orientações sobre higienização oral na primeira infância, uso do flúor nas águas de abastecimento e nos cremes dentais e as visitas periódicas ao cirurgião-dentista que poderá promover as limpezas periódicas, para eliminação de tártaros e do biofilme bacteriano, e ainda fazer a identificação precoce de cáries e demais problemas bucais.
Por meio da odontologia preventiva, o paciente também é beneficiado com o combate a problemas mais graves, como pontos de infecção, e o câncer de boca. Além disso, a preservação do sorriso garante boas condições de fala, mastigação, digestão e respiração, além de mais autoestima e qualidade de vida para os indivíduos em geral. Os atendimentos odontológicos também garantem maior bem-estar a pacientes imunossuprimidos ou com doenças crônicas e autoimunes como é o caso, por exemplo, da diabetes.
Em 2025, durante o 42º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP), foram divulgados dados do Censo da Odontologia no Brasil. De acordo com o levantamento, realizado entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, 68% dos brasileiros visitaram um cirurgião-dentista no último ano. Entretanto, apenas 23% desses atendimentos ocorreram por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciando desafios importantes na universalização do acesso à saúde bucal.
“Somos o país com o maior número de cirurgiões-dentistas no mundo, com mais de 426 mil profissionais inscritos no CFO. Ainda assim, temos milhões de brasileiros sem acesso adequado à saúde bucal. Essa incoerência precisa ser enfrentada, e os dados do Censo nos ajudam a planejar soluções e melhorar a qualidade de vida da população”, destacou o presidente do CFO, Claudio Miyake.
Os dados apresentados reforçam a necessidade de ações mais robustas para democratizar o acesso à saúde bucal. O Censo é uma ferramenta essencial para gestores públicos e profissionais da área, auxiliando no planejamento e na formulação de políticas mais eficazes para o setor.
No âmbito do Ministério da Saúde, o Brasil Sorridente é o programa de assistência odontológica, criado em 2004, que apresenta diretrizes nacionais de saúde bucal, integradas à Política Nacional de Saúde Bucal. A política visa combater a dificuldade de acesso aos serviços de saúde bucal, ofertando ações de promoção e reabilitação evitando, assim, diagnóstico tardio e oferecendo cuidado em saúde adequadamente.
A política está ligada a diversas ações e programas do Ministério da Saúde, como o Programa Saúde na Escola, o Plano Nacional para Pessoas com Deficiência, a Saúde do Trabalhador, a Vigilância Ambiental e a Fluoretação das Águas de Abastecimento Público, entre outras.
Em 2023, um grande avanço foi dado com inclusão da Saúde Bucal na Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080/1990) transformando a Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB) em uma política de Estado. Nesse sentindo, houve progressos para se evitar que a atenção à saúde Bucal no SUS seja interrompida ou colocada em segundo plano. Além disso, fica garantido o direito à saúde bucal como parte do direito à saúde.
Linhas de Ação da Política Nacional de Saúde Bucal Brasil Sorridente:
– Reorganização da Atenção Primária à Saúde:
Equipe de Saúde Bucal (eSB)
Unidade Odontológica Móvel (UOM)
– Ampliação e qualificação da Atenção Ambulatorial Especializada:
Centro de Especialidades Odontológicas (CEO)
Adesão à Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência
Serviço de Especialidades Odontológicas (Sesb)
– Monitoramento e Avaliação:
Indicadores de Desempenho
Indicador de Pré-Natal Odontológico (Previne Brasil)
Cobertura de Saúde Bucal
Produção das equipes e serviços
– Reestruturação e qualificação dos serviços:
Investimentos para a reestruturação
Diretrizes Clínicas para APS
Cursos para aprimoramento da clínica e gestão
Incentivo à pesquisa científica
– Ponto de apoio à Atenção Primária e Ambulatorial Especializada:
Laboratório Regional de Prótese Dentária (LRPD)
– Atenção Hospitalar:
Atendimento Odontológico à Pessoa com Necessidades Especiais
-Vigilância em Saúde:
Levantamento epidemiológico – SB Brasil
– Ações de promoção e prevenção:
Ações coletivas
Ações individuais
Saúde da boca:
Além de exercer papel fundamental na fala, na mastigação e na respiração, a boca é a maior cavidade do corpo a ter contato direto com o meio ambiente, sendo a porta de entrada para bactérias e outros microrganismos prejudiciais à saúde.
Problemas orais mais comuns:
– Cárie: desintegração do dente provocada pela higiene inadequada, ingestão de doces e carboidratos ou, ainda, por complicações de outras doenças que diminuem a quantidade de saliva na boca. (Ex.: pessoas em tratamento quimioterápico ou radioterápico para o câncer).
– Lesões bucais e aftas: inchaços, manchas ou feridas na boca, língua ou lábios; podem ser provocadas por herpes labial, candidíase (sapinho) e próteses (dentaduras) mal ajustadas.
– Gengivite: inflamação da gengiva provocada pela placa bacteriana.
– Placa bacteriana: é o conjunto de bactérias que coloniza a cavidade bucal. A placa bacteriana fixa-se principalmente nas regiões de difícil limpeza, como a região entre a gengiva e os dentes ou a superfície dos dentes de trás, provocando cáries e formação de tártaro.
– Tártaro: é o endurecimento da placa bacteriana na superfície dos dentes;
– Mau hálito: tem várias causas, dentre elas: higiene bucal inadequada (falta de escovação adequada e falta do uso do fio dental); gengivite; ingestão de certos alimentos como, alho ou cebola; tabaco e produtos alcoólicos; boca seca (causada por certos medicamentos, por distúrbios e por menor produção de saliva durante o sono); doenças sistêmicas como câncer, diabetes, problemas com o fígado e rins.
A língua possui diversas papilas gustativas entre as quais se formam criptas, ou seja, saquinhos que retêm resíduos de alimentos, células descamadas que começam a fermentar, formando uma placa bacteriana esbranquiçada que aparece no fundo da língua, em direção à ponta, a chamada saburra lingual; essa é, sem dúvida, a principal causa do mau hálito.
Prevenção dos principais problemas bucais:
– Ter bons hábitos de higiene oral;
– Usar adequadamente o flúor, conforme a faixa etária;
– Não fumar;
– Reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas;
– Ter uma dieta balanceada, livre de açúcar;
– Manter estilo de vida saudável com controle do estresse;
– Usar protetor solar labial;
– Eliminar a placa bacteriana por meio de escovação adequada e do uso do fio dental;
– Limpar a língua, utilizando um raspador, a fim de retirar a saburra lingual;
– Evitar o uso de próteses mal ajustadas;
– Visitar regularmente o cirurgião-dentista.
Fontes:
Conselho Federal de Odontologia
Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina
Dr. Dráuzio Varella
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica, n. 17: saúde bucal
Serviço Social do Comércio. Manual técnico de educação em saúde bucal
World Dental Federation
