17/10 – Dia Nacional da Vacinação 2026

O Dia Nacional da Vacinação, celebrado anualmente em 17 de outubro, foi criado com a finalidade de ressaltar a importância das vacinas no controle de doenças e na prevenção de epidemias.
As vacinas têm inestimável valor histórico na saúde humana, salvando a vida de 3 milhões de pessoas a cada ano, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Há mais de 200 anos os cientistas perceberam que o organismo tem a capacidade de gerar anticorpos ao receber amostras de patógenos como vírus, bactérias e alguns fungos, em estado inofensivo. Ao induzirem uma resposta do sistema imunológico o mais semelhante possível àquela que ocorreria em caso de infecção, as vacinas fazem com que as células de defesa reconheçam e combatam o agente infeccioso.
Além de proteger as pessoas vacinadas, a imunização cria uma barreira entre as pessoas imunizadas que não deixa a doença se aproximar de indivíduos vulneráveis imunologicamente, como os que se encontram em tratamento quimioterápico, por exemplo, ou bebês que ainda não têm idade para serem vacinados.
Muitas doenças comuns no Brasil e no mundo deixaram de ser um problema de saúde pública por causa da vacinação massiva da população.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é responsável pela coordenação das ações de vacinação no Brasil. Seu objetivo é garantir acesso universal, gratuito e igualitário às vacinas, assegurando a prevenção de doenças transmissíveis em todo o território nacional.
O Programa é referência mundial por sua amplitude, qualidade e cobertura, disponibilizando atualmente 49 imunobiológicos: 31 vacinas, 13 soros heterólogos e 5 imunoglobulinas (4 imunoglobulinas específicas e 1 anticorpo monoclonal VSR), que contemplam toda a população nas diversas fases da vida.
O PNI, coordenado pelo Ministério da Saúde, planeja, financia e distribui as vacinas. As Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde são responsáveis por aplicar as doses em postos, unidades de saúde e nas campanhas.
Para manter a qualidade dos produtos oferecidos, o País conta com a Rede de Frio – uma estrutura física e técnico-administrativa que permeia as três esferas de governo – cujo processo logístico envolve o sistema de armazenamento, transporte e manuseio em condições adequadas de temperatura dos imunobiológicos, desde o laboratório produtor até o momento da aplicação no usuário.
O PNI conta, ainda, com os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), responsáveis por oferecer vacinas específicas para grupos de pessoas que precisam de proteção diferenciada.
Segurança das vacinas:
Eventuais reações, como febre e dor local, podem ocorrer após a aplicação de uma vacina, mas os benefícios da imunização são muito maiores que os riscos dessas reações temporárias. É importante ressaltar que toda vacina licenciada para uso passou antes por diversas fases de avaliação, desde os processos iniciais de desenvolvimento até a produção e a fase final que é a aplicação, garantindo assim sua segurança. Além disso, elas são avaliadas e aprovadas por institutos reguladores que atuam de forma rígida e independente.
No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, responsável ainda, pelo acompanhamento de eventos adversos que possam estar relacionados ao imunizante, em um processo contínuo de monitoramento da segurança, mesmo depois que a vacina é licenciada.
Importância:
Graças às vacinas, doenças como varíola e poliomielite foram erradicadas. Além disso, foi possível controlar sarampo, rubéola e rubéola congênita, difteria, coqueluche, tétano, hepatite B, meningites, febre amarela, caxumba e formas graves da tuberculose. Mais recentemente, o PNI incluiu vacinas contra HPV, influenza e Covid-19, sempre atualizando o calendário para proteger a população.
As vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) seguem recomendações e orientações específicas para os diferentes grupos populacionais, como crianças, adolescentes, adultos, gestantes, idosos e indígenas, conforme o Calendário Nacional de Vacinação, destacando-se:
BCG; Hepatite B recombinante; Penta (DTP/Hib/HB); Pólio inativada VIP; Rotavírus humano; Pneumo 10-v e 20-v; Meningo C; Influenza; Covid-19; Febre amarela; Meningo ACWY; Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola); Varicela; DTP; Hepatite A; Pneumo 23-v; dT; HPV 4; Dengue tetravalente.
O PNI atua de forma integrada para garantir o acesso da população brasileira a vacinas seguras e eficazes. Suas ações incluem a definição do calendário nacional, a distribuição de imunobiológicos, o monitoramento das coberturas vacinais, a manutenção da Rede de Frio e a divulgação de orientações técnicas. O programa também estabelece normas para registros vacinais, acompanha a segurança das vacinas e enfrenta desafios como a hesitação vacinal*, reafirmando seu papel essencial na proteção da saúde pública.
*A hesitação vacinal refere-se ao atraso ou à recusa em aceitar vacinas recomendadas, mesmo quando estão disponíveis. Trata-se de um fenômeno complexo e dinâmico, que varia conforme o tempo, o contexto, o território e o tipo de imunizante. É influenciada por múltiplos fatores, entre eles a confiança nas vacinas e nas instituições, a percepção de risco, o acesso às vacinas, a baixa percepção da gravidade de doenças que podem ser prevenidas com a vacinação, o contexto socioeconômico e cultural, além da comunicação.
Os 5 ‘Cs’ da hesitação vacinal:
– Complacência: Percepção de risco sobre doenças imunopreveníveis;
– Conveniência: Acesso aos serviços de vacinação e às vacinas;
– Confiança: Na segurança e eficácia das vacinas e nas autoridades de saúde;
– Contexto: Conjunto de crenças e diferenças socioeconômicas e culturais;
– Comunicação: Conhecimentos, atitudes e práticas baseadas em fatos verídicos ou não.
Destaca-se que esse comportamento pode comprometer as coberturas vacinais e favorecer o reaparecimento de doenças previamente controladas ou eliminadas pela vacinação. A hesitação vacinal não significa apenas recusar vacinas. Muitas vezes, envolve dúvidas, atrasos ou a escolha de tomar algumas vacinas e deixar outras para depois, resultando em risco para infecção e disseminação de doenças imunopreveníveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a hesitação vacinal é uma das 10 principais ameaças à saúde global, elencadas em 2019.
Para enfrentar esse desafio, é importante que os serviços de saúde atuem juntos, escutem com atenção as preocupações das pessoas e compartilhem informações claras e seguras. Além disso, é fundamental mobilizar a comunidade e reforçar a ideia de que vacinar não é só um cuidado individual, mas um ato de proteção para todos.
Fontes:
Ministério da Saúde
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
