“Dor crônica na meia idade: do reconhecimento ao cuidado baseado em evidências” : 18/10 – Dia Mundial da Menopausa 2026

O Dia Mundial da Menopausa, celebrado anualmente em 18 de outubro, foi instituído em 2009 pela International Menopause Society (IMS) com o objetivo de conscientizar sobre a menopausa e melhorar a experiência das mulheres ao redor do mundo.
De acordo com a IMS, celebram-se os muitos avanços médicos e o aumento expressivo na conscientização pública acerca da menopausa nos últimos anos, mas ainda há muito a ser feito.
A cada ano, por meio da data comemorativa, um novo tema é abordado para chamar a atenção para os desafios enfrentados pelas mulheres durante a transição para a menopausa, destacando-se os progressos em pesquisa, educação e apoio.
A dor crônica, foco em 2026, afeta uma parcela significativa de mulheres durante e após a transição para a menopausa; contudo, ela permanece subestimada tanto na pesquisa quanto na assistência à saúde.
Por meio do documento de referência anual, voltado a profissionais de saúde, e de recursos acessíveis destinados a mulheres e a qualquer pessoa interessada na saúde durante a meia-idade, a campanha de 2026 reúne informações confiáveis e orientações práticas para promover um melhor reconhecimento e um atendimento mais adequado em todo o mundo.
Menopausa é o nome dado para o término dos fluxos menstruais sendo confirmada com a ausência de menstruações por um período de 12 meses seguidos (desde que não haja outras explicações para isso e sem que os ovários tenham sido removidos ou danificados).
Trata-se de um processo natural que todas as pessoas do sexo feminino vivenciam e marca o fim da fase reprodutiva — ou seja, a capacidade de engravidar.
O climatério, por sua vez, é o período de transição que ocorre antes e depois da menopausa. Durante essa fase, os níveis hormonais começam a mudar e podem causar alterações físicas. O climatério pode durar vários anos e envolve mudanças naturais no corpo. Em alguns casos, elas podem estar relacionadas a doenças.
Há três principais tipos de menopausa:
– Menopausa natural: o término da menstruação é espontâneo, não causado por qualquer intervenção médica, e ocorre entre os 40 e os 55 anos para a maioria das pessoas;
– Menopausa induzida: causada pela retirada cirúrgica dos ovários ou por tratamentos de quimioterapia ou radioterapia, desde que causem danos irreversíveis aos ovários;
– Menopausa precoce: ocorre antes dos 40 anos, de maneira natural ou induzida.
Causas:
O climatério e a menopausa são estágios naturais da vida das pessoas do sexo feminino, ligados ao processo de envelhecimento. Sua causa é a diminuição da produção de hormônios como o estrogênio e a progesterona, produzidos pelas glândulas do aparelho reprodutor feminino (ovários), e responsáveis por regular diversas funções do corpo.
A menopausa também pode ser causada pela retirada cirúrgica dos ovários ou por tratamentos que causem danos irreversíveis a essas glândulas, como a quimioterapia e a radioterapia.
Os principais sintomas da menopausa e do climatério incluem:
– Ciclos menstruais irregulares: alterações no intervalo, na duração e na quantidade do fluxo, além de sangramentos entre os ciclos menstruais. Essas mudanças podem começar de quatro a oito anos antes da menopausa, mas algumas pessoas não apresentam alterações antes da última menstruação;
– Ondas de calor: sensação intensa de calor no rosto, no pescoço e no tronco, acompanhada de aceleração do coração e transpiração. Podem ocorrer à noite e causar suores. Esses episódios podem durar de três a cinco anos, com intensidade variada;
– Decréscimo do desejo sexual: o declínio hormonal pode afetar a função sexual, mas o impacto varia entre as pessoas;
– Alterações genitais: diminuição da espessura e da elasticidade vaginal, além de menor lubrificação, o que resulta em atrofia vaginal, que piora com o tempo após a menopausa;
– Alterações urinárias: incontinência, aumento da frequência urinária e infecções podem estar relacionados à menopausa devido à falta do hormônio estrogênio e ao enfraquecimento dos músculos da região abaixo da barriga (pelve);
– Dores de cabeça: comumente ocorrem em pessoas com histórico de dor de cabeça relacionada ao ciclo menstrual ou uso de anticoncepcionais;
– Mudanças na pele e crescimento de pelos no corpo: a queda de estrogênio enfraquece a pele e a torna mais fina e seca. O aumento dos hormônios masculinos pode causar surgimento de pelos em áreas como o rosto;
– Doença cardiovascular: os riscos de infarto, derrame e trombose tendem a aumentar após a menopausa, sendo cerca de duas a três vezes maiores em comparação com pessoas na pré-menopausa. Esse risco pode se intensificar gradualmente com o passar dos anos, especialmente na ausência de hábitos saudáveis;
– Osteoporose: há um aumento na perda de massa óssea, o que pode elevar o risco de fraturas em vértebras, quadril, costelas e extremidades. Embora a perda óssea comece de forma gradual a partir dos 30 anos, nas pessoas do sexo feminino ela costuma se acelerar nos primeiros anos após a menopausa.
Além desses, podem surgir sintomas psíquicos como instabilidade de humor, depressão, ansiedade e problemas de memória, que, embora não sejam causados pela menopausa, tendem a se intensificar nesta fase.
Tratamento:
A necessidade de tratamento depende da intensidade dos sintomas e do risco de doenças a longo prazo, como osteoporose e problemas cardiovasculares. Pessoas com menopausa precoce ou induzida geralmente exigem cuidados específicos. Ainda assim, todas as pessoas no climatério devem ter acompanhamento com profissional da saúde. Medidas gerais recomendadas, incluem:
– Manter o peso adequado: consumir alimentos ricos em cálcio (como leite e derivados) e vitamina D (como atum e salmão), além de reduzir o consumo de gorduras animais (saturadas), como as encontradas nas carnes vermelhas;
– Fazer exercícios regularmente: praticar de 150 a 300 minutos semanais de atividades físicas, como caminhada, musculação, pilates, alongamento e yoga;
– Evitar o tabagismo: o cigarro pode acelerar a perda da massa óssea e aumentar o risco de doenças cardiovasculares;
– Evitar consumo excessivo de álcool ou cafeína: essas substâncias podem piorar sintomas como insônia, ansiedade e palpitações, além de interferir na qualidade do sono. O álcool em excesso também está associado ao aumento do risco de osteoporose, doenças cardiovasculares e alterações no metabolismo hormonal;
– Controlar a pressão arterial: essencial para a saúde do coração, especialmente após a menopausa;
– Evitar ou tratar o diabetes: o risco de alterações nos níveis de açúcar no sangue aumenta com a idade e o ganho de peso;
– Reduzir o estresse: contribui para o bem-estar físico e emocional, além de ajudar no controle hormonal e do sono;
– Controlar colesterol e os triglicérides: ajuda a prevenir doenças cardiovasculares;
– Uso de medicamentos: o tratamento é individualizado e pode incluir terapia hormonal ou outros fármacos, conforme os sintomas, as doenças associadas e as contraindicações;
– Terapia hormonal: pode ser feita com estrogênio (isolado ou com progestágeno), por diferentes vias. Alivia sintomas como ondas de calor, ressecamento vaginal e perda óssea. O uso prolongado deve ser avaliado pelo profissional de saúde.
Algumas contraindicações para o uso de hormônios são: histórico de câncer de mama, trombose venosa, sangramento uterino de causa desconhecida, doença hepática grave ativa e presença de doença cardiovascular.
Prevenção:
O climatério e a menopausa são processos naturais na vida de todas as pessoas do sexo feminino, por isso não podem ser prevenidos. No entanto, é possível promover uma melhor qualidade de vida durante essa fase por meio de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação rica em cálcio (presente no leite e derivados) e vitamina D (encontrada em peixes como atum e salmão), com baixo consumo de gorduras saturadas (como as das carnes vermelhas).
Também é importante praticar atividades físicas regularmente — de 150 a 300 minutos por semana —, evitar o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e cafeína, além de controlar condições de saúde preexistentes, como hipertensão e diabetes.
Fontes:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)
International Menopause Society (IMS)
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
