8/5 – Dia Mundial do Câncer de Ovário 2026

Em 8 de maio o mundo se une para aumentar a conscientização sobre o câncer de ovário e promover mudanças significativas para as mulheres, em todos os lugares.
A data comemorativa foi criada em 2013 por iniciativa de líderes de organizações ligadas ao tema. Com o apoio de mais de 200 instituições mundiais, o alcance da campanha cresce exponencialmente a cada ano e, aproveitando esse impulso, em 2026 é lançada uma nova e ousada campanha nas redes sociais para tornar o câncer de ovário impossível de ser ignorado.
No mundo, este é o tipo de câncer mais letal entre as mulheres. As estimativas apontam que, caso não haja uma ação globalmente coordenada, o número de casos diagnosticados aumentará mais de 55% até 2050 e haverá cerca de 8 milhões de mortes por esta causa. A maioria das vidas perdidas virá de países de baixa e média renda, onde vivem 70% das mulheres diagnosticadas.
Em relação à sobrevivência em cinco anos a este câncer, as taxas variam entre os países. Nos mais desenvolvidos estão entre 36% e 46%. No entanto, em alguns, o número é bem menor. Em geral, esses índices ficam bem abaixo dos de outros tipos de câncer, como o de mama, em que as taxas de sobrevivência em cinco anos se aproximam de 90%.
A neoplasia de ovário é a terceira mais comum entre os cânceres ginecológicos, ficando atrás do câncer de colo do útero e de endométrio. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), para cada ano do triênio 2026 a 2028, são estimados 8.020 novos casos no Brasil e o número de óbitos, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, 2024, é de 4.567.
Sinais e sintomas:
Dentre os cânceres ginecológicos, o de ovário é o mais letal por tratar-se de um tipo silencioso. Conforme progride, pode causar:
– Pressão, dor ou inchaço no abdômen e pelve;
– Dores nas costas ou pernas;
– Problemas digestivos (náusea, indigestão, gases, prisão de ventre ou diarreia);
– Perda de apetite;
– Necessidade frequente de urinar;
– Fadiga persistente;
– Presença de massa palpável no abdômen.
Fatores que aumentam o risco:
– Idade: A incidência aumenta com o avanço da idade.
– Fatores reprodutivos e hormonais: O risco de câncer de ovário é aumentado em mulheres com infertilidade e reduzido naquelas que tomam contraceptivos orais ou que tiveram vários filhos. Por outro lado, mulheres que nunca tiveram filhos parecem ter risco aumentado.
– Menarca (primeira menstruação) precoce (antes dos 12 anos) e idade tardia na menopausa (após os 52 anos) podem estar associadas a risco aumentado de câncer de ovário.
– A infertilidade é fator de risco para o câncer de ovário, mas a indução da ovulação para o tratamento da infertilidade não parece aumentar o risco de desenvolver a doença.
– O risco de câncer de ovário com terapia hormonal pós-menopausa aparenta ser pequeno.
– História familiar: Familiares acometidos com câncer de ovário, colorretal e de mama está associado a risco aumentado de câncer de ovário.
– Fatores genéticos: Mutações em genes, como BRCA1 e BRCA2, estão relacionadas a risco elevado de câncer de mama e de ovário.
– Excesso de gordura corporal;
– Mulheres que trabalham expostas a asbestos (amianto) ou a raios X e gama apresentam risco aumentado de câncer de ovário.
Detecção precoce:
A detecção precoce pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença, ou com a realização de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de desenvolver a condição.
Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de ovário traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.
Tratamento:
O tratamento depende de fatores como tipo de tumor, estágio da doença e condição da paciente. As opções incluem:
– Cirurgia (sempre que possível, busca-se a remoção total do tumor);
– Quimioterapia adjuvante (após a cirurgia, para reduzir riscos de recorrência);
– Quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia, para reduzir o tamanho do tumor e facilitar a remoção).
Prevenção:
As mulheres devem estar atentas aos fatores de risco, manter o peso corporal saudável e consultar regularmente o médico, principalmente a partir dos 50 anos.
Obs.: O exame preventivo ginecológico (Papanicolaou) não detecta o câncer de ovário, já que é específico para detectar o câncer do colo do útero.
Fontes:
Instituto de Oncologia Santa Casa BH (Minas Gerais)
Instituto Nacional de Câncer (Inca)
Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica
World Ovarian Cancer Coalition
