“Unidos por um Mundo Livre do Glaucoma” : 8 a 14/3 – Semana Mundial do Glaucoma 2026


 

A Semana Mundial do Glaucoma, celebrada anualmente no período de 8 a 14 de março, desde 2010, é uma campanha global promovida pela World Glaucoma Association (WGA), dedicada a aumentar a conscientização pública sobre o glaucoma, uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. A iniciativa reúne profissionais de saúde ocular, organizações de saúde e comunidades em mais de 100 países com o objetivo de educar o público sobre a importância da detecção precoce da doença e de exames oftalmológicos regulares.

Para 2026, foi escolhido um tema impactante: “Unidos por um Mundo Livre do Glaucoma”, enfatizando a ação coletiva e a solidariedade global na luta contra a cegueira evitável. Esse lema convida à união de todos os países para disseminar informações sobre esta doença tratável antes que se torne irreversível.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no mundo, ficando atrás apenas da catarata. No mundo, cerca de 64,3 milhões de pessoas, entre 40 e 80 anos são afetadas e a projeção é de que, até 2040, esse número aumente para 111,8 milhões. No Brasil, estima-se que pelo menos 900 mil têm o diagnóstico de glaucoma.

 

O glaucoma é uma doença que afeta os olhos e pode causar perda de visão de forma gradual, muitas vezes sem ser notado. Isso ocorre quando a pressão dentro do olho aumenta e começa a danificar o nervo óptico, responsável por levar as imagens até o cérebro.

O mais preocupante é que o glaucoma geralmente não apresenta sinais no início, por isso muitas pessoas só percebem o problema quando a visão já está comprometida. E, infelizmente, o que foi perdido não pode ser recuperado.

 

Há mais de 30 tipos de glaucoma. Os principais são:

– Crônico simples ou glaucoma de ângulo aberto: representa mais ou menos 80% dos casos e incide nas pessoas acima de 40 anos. É causado por uma alteração anatômica que impede a saída do humor aquoso e aumenta a pressão intraocular. Pode não apresentar sintomas.

– Glaucoma de ângulo fechado: sua principal característica é o aumento súbito da pressão intraocular. Os sintomas incluem dor intensa no olho, visão embaçada, halos coloridos, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Trata-se de uma emergência oftalmológica com alto risco de perda permanente da visão se não for tratado rapidamente.

– Glaucoma congênito (forma mais rara): acomete os recém-nascidos logo após o nascimento, ou a criança já nasce com alterações no olho provocadas por hipertensão intraocular que ocorreu durante a gestação. As manifestações clínicas aparecem no decorrer do primeiro ano de vida e se caracterizam por globo ocular aumentado e alterações na transparência da córnea, que fica branco-azulada, como se uma membrana estivesse cobrindo o olho.

– Glaucoma secundário:  é decorrente de enfermidades como diabetes, uveítes, cataratas, traumas, tumores, etc.

 

Sintomas:

No início, a doença não apresenta sintomas. A perda visual só ocorre em fases mais avançadas e compromete primeiramente a visão periférica. Depois, o campo visual vai se estreitando de forma  progressiva até transformar-se em visão tubular. Podem ocorrer diminuição da percepção de contrastes, dificuldade e lentidão para leitura, alteração na adaptação claro/escuro.

De modo geral, a doença aparece com mais frequência a partir dos 40 anos, mas pode ocorrer em qualquer faixa de idade, dependendo da causa.

 

Tratamento:

O glaucoma não tem cura – tem controle. A doença provoca danos irreversíveis ao nervo ótico e as células que morreram não se regeneram. A terapia busca manter a pressão ocular controlada para que não haja mais lesões ao nervo ótico e, consequentemente, cessar a perda da visão.

Inicialmente, o tratamento é clínico e à base de colírios. Existem medicamentos por via oral que só são usados em casos emergenciais.

Alguns tipos de glaucoma secundário estão associados a distúrbios que requerem tratamento específico. Cessada a causa, a pressão intraocular regride e o problema visual desaparece. Portanto, a medicação oftalmológica é usada por prazo curto, enquanto se trata o que provocou o glaucoma, como por exemplo, diabetes.

O glaucoma crônico – tipo mais comum da doença – exige o uso constante de colírios pela vida inteira, porque não tem cura. Como pode ser controlado por meio de medicação, cirurgia ou raio laser, o paciente precisa ser mantido sob controle ininterruptamente. Quando o paciente não é tratado adequadamente ou não trata a doença, pode ocorrer a cegueira.

A cirurgia deve ser o último recurso, pois implica sempre algum risco, tanto no pré quanto no pós-operatório tardio. Além disso, muitas vezes a cirurgia não traz os resultados esperados. Por isso, ela deve ser evitada, desde que a doença seja controlada por meios clínicos e não cause prejuízo para a qualidade de vida do paciente.

 

Prevenção e recomendações:

Com exames oftalmológicos regulares, principalmente a partir dos 35 anos, o glaucoma pode ser identificado ainda cedo e tratado adequadamente. O diagnóstico precoce é fundamental para controlar a doença e preservar a visão.

Recomenda-se que os pacientes não se descuidem da adesão ao tratamento – muitas pessoas deixam de seguir as recomendações do médico, primeiro pela ausência de sintomas, depois, porque os medicamentos podem ser caros. Glaucoma não tratado leva à cegueira.

 

No âmbito do Ministério da Saúde, foi instituída a Política Nacional de Atenção em Oftalmologia (PNAO), originalmente publicada pela Portaria MS/GM 957/2008, alterada pela Portaria de Consolidação nº 2/2017, anexo 35.

A referida Política Nacional tem os seguintes componentes fundamentais:

– Atenção Básica: realizar ações de caráter individual ou coletivo, voltadas à promoção da saúde e à prevenção dos danos e recuperação, bem como ações clínicas para o controle das doenças que levam a alterações oftalmológicas e às próprias doenças oftalmológicas, que possam ser realizadas neste nível, ações essas que terão lugar na rede de serviços básicos de saúde;

– Atenção Especializada em Oftalmologia: realizar atenção diagnóstica e terapêutica especializada e promover o acesso do paciente portador de doenças oftalmológicas a procedimentos de média e alta complexidade, em serviços especializados de qualidade, visando alcançar impacto positivo na morbidade e na qualidade de vida dos usuários do SUS, por intermédio da garantia da equidade;

– A organização das Redes de Atenção em Oftalmologia deverá respeitar o Plano Diretor de Regionalização (PDR) de cada unidade federada e os princípios e diretrizes de universalidade, equidade, regionalização, hierarquização e integralidade da atenção à saúde, cujas ações referentes a esse nível de atenção serão realizadas em Hospitais Gerais ou Especializados, Hospitais de Ensino, Ambulatórios Especializados em Assistência Oftalmológica, cuja normatização será definida em portaria da Secretaria de Atenção à Saúde;

– Plano de Prevenção e Tratamento das Doenças Oftalmológicas, que deve fazer parte integrante dos Planos Municipais de Saúde e dos Planos de Desenvolvimento Regional dos Estados e do Distrito Federal.

 

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atualmente 19 procedimentos para acompanhamento, avaliação e tratamento do glaucoma. Para serem encaminhados aos Serviços de Atenção Especializada, os pacientes devem, primeiro, procurar uma das 41,7 mil Unidades de Saúde da Família espalhadas por todo o país. As pessoas com diagnóstico confirmado devem ser acompanhadas por um médico oftalmologista.

Esse acompanhamento começa cedo: todas as crianças, quando nascem, também realizam nas maternidades públicas o Teste do Olhinho – um exame simples, rápido e indolor, capaz de detectar alterações no eixo visual. O teste avalia o reflexo da luz que entra no olho do bebê. Se for identificada alguma alteração, o recém-nascido é encaminhado para um especialista. A identificação precoce aumenta a chance de desenvolvimento normal da visão ao longo da vida.

Os pacientes podem ter acesso aos medicamentos necessários para o tratamento do glaucoma por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF).

Para a assistência à doença, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), produziu o “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Glaucoma”.

 

Fontes:

Dr. Dráuzio Varella
Ministério da Saúde
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Glaucoma

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