10/3 – Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo

O sedentarismo é hoje considerado um significativo desafio à saúde pública e um relevante fator de risco de morte em todo o mundo. No Brasil, esse cenário não é diferente. A pesquisa Saúde e Trabalho do Serviço Social da Indústria (Sesi) mostra que 52% dos brasileiros não praticam atividades físicas (2022).
O comportamento sedentário está associado ao aumento do acúmulo de gordura, elevação dos valores do Índice de Massa Corporal (IMC), pressão arterial, glicemia e triglicérides, diabetes mellitus, síndrome metabólica e alguns tipos de cânceres e doenças cardiovasculares.
A inatividade física também leva à dificuldade para a realização de atividades de vida diária.
Em relatório recente, a Organização Mundial da Saúde fez um alerta de que quase 500 milhões de pessoas vão desenvolver doenças cardíacas, obesidade ou outras condições atribuídas à inatividade física entre 2020 e 2030. O documento contém dados de 194 países e mostra um progresso lento das nações para a criação de políticas públicas que possam reverter este quadro.
O Brasil é considerado o país mais sedentário da América Latina e o quinto no ranking mundial; cerca de 300 mil pessoas morrem por ano devido a doenças associadas ao sedentarismo. No país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47% dos brasileiros adultos são sedentários e entre os jovens o número é maior e ainda mais alarmante: 84%.
Nos últimos anos, o tempo gasto com o uso de telas está fortemente relacionado ao aumento do risco de desenvolvimento dessas doenças.
Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) mostram que, entre 2016 e 2023, houve um salto da frequência de adultos que despendem 3 horas ou mais por dia do tempo livre com o uso de telas, variando de 61,7%, em 2016 a 67,0% em 2023.
O sedentarismo não deve ser visto apenas como uma escolha individual, mas sim como um fenômeno influenciado por fatores sociais e estruturais. A relação entre sedentarismo e as desigualdades sociais evidenciam a importância de políticas que ampliem o acesso a espaços públicos para a prática de atividades físicas.
A promoção da atividade física depende de políticas públicas que integrem planejamento urbano e diretrizes do plano diretor. Esses instrumentos de organização das cidades são espaços em que a saúde e o bem-estar físico podem estar assegurados.
Para que o planejamento das cidades esteja alinhado com interesses da população, uma prática que impulsiona a inclusão e combate às desigualdades sociais é a participação do cidadão nos planos diretores. A participação social, a intersetorialidade das ações e a inclusão de universidades no processo de elaboração são diferenciais ao se pensar em cidades e comunidades saudáveis.
Parques públicos são fundamentais para ampliar o acesso à atividade física e reduzir barreiras estruturais ao esporte e lazer. Esses parques são espaços verdes comuns e compartilhados e contém aparelhos públicos como academias ao ar livre e pistas para caminhada e corrida.
A descentralização e acessibilidade dos parques e aparelhos públicos para a realização das atividades físicas são essenciais para que eles se tornem parte da rotina da população.
Para colaborar com a redução do comportamento sedentário, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta práticas e ações por meio da Atenção Primária à Saúde (APS). Destacam-se:
– Guia da Atividade Física para a População Brasileira
Publicado em 2021, o material traz recomendações e informações do Ministério da Saúde sobre atividade física. O conteúdo incentiva a prática de exercícios, além de explicar que quanto mais cedo isso se torna um hábito, mais benefícios para a saúde são conquistados, como o controle ponderal e a diminuição da chance de desenvolvimento de alguns tipos de câncer e doenças crônicas.
O guia aborda a prática regular de atividade física em todos os ciclos de vida – seja para crianças, adolescentes, adultos e idosos – e informa sobre as recomendações de exercícios e cuidados para outras especificidades.
– Programa Academia da Saúde
O Programa Academia da Saúde (PAS) é uma estratégia de promoção da saúde, produção do cuidado e de modos de vida saudáveis para a população que faz parte da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e busca garantir a integralidade do cuidado. As ações ofertadas são: práticas corporais e atividades físicas; promoção da alimentação saudável; práticas integrativas e complementares em saúde (PICS); práticas artísticas e culturais; educação em saúde; planejamento e gestão; e mobilização da comunidade.
– Incentivo financeiro de custeio à atividade física
Para implementar ações de atividade física na atenção primária, o Ministério da Saúde instituiu o Incentivo Financeiro de Custeio às Ações de Atividade Física (IAF). O objetivo é ofertar ações de atividade física na APS, por meio da contratação de profissionais de educação física na saúde; da aquisição de materiais de consumo; e da qualificação de ambientes relacionados à atividade física. Além de melhorar o cuidado das pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).
– Programa Saúde Escola
O Programa Saúde Escola (PSE) tem como finalidade contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. O PSE articula os setores da saúde e educação com 14 temáticas de promoção da saúde e prevenção de doenças e agravos nas escolas, incluindo as atividades físicas. Confira o Guia de Bolso do PSE – Promoção da Atividade Física.
– Equipes multiprofissionais
O SUS conta com equipes multiprofissionais (eMulti) na formação da APS. Compostas por profissionais de saúde de diferentes áreas e categorias, as equipes promovem o cuidado multidisciplinar nos diferentes territórios e fortalecem as articulações com outros equipamentos de saúde e de outros setores (educação, serviço social, cultura, lazer, esporte, entre outros). Fisioterapeutas e profissionais de educação física podem integrar as eMulti, fortalecendo as possibilidades de cuidados ofertados à população que utiliza o movimento, as práticas corporais e atividades físicas como recurso terapêutico.
De acordo com o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, o comportamento sedentário envolve atividades realizadas quando se está acordado sentado, reclinado ou deitado e gastando pouca energia. Essas atividades geralmente são realizadas em frente a telas de computador, televisão, celulares e tablets, mas também incluem o tempo sentado para se deslocar de um lugar a outro utilizando carro, ônibus ou metrô, e para realizar trabalhos manuais, jogar cartas ou jogos de mesa.
A atividade física é importante para o pleno desenvolvimento humano e deve ser praticada em todas as fases da vida e em diversos momentos, como ao se deslocar de um lugar para outro, durante o trabalho ou estudo, ao realizar tarefas domésticas ou durante o tempo livre.
Os exercícios físicos também são exemplos de atividades físicas, mas se diferenciam por serem atividades planejadas, estruturadas e repetitivas com o objetivo de melhorar ou manter as capacidades físicas e o peso adequado, além de serem prescritos por profissionais de educação física. Todo exercício físico é uma atividade física, mas nem toda atividade física é um exercício físico!
Como diminuir e evitar o comportamento sedentário?
Para melhorar a saúde, é preciso criar estratégias para diminuir e interromper o tempo excessivo em repouso. Para isso, pequenas atitudes podem ajudar a diminuí-lo e a melhorar a qualidade de vida. Vale reduzir o tempo sentado ou deitado assistindo à televisão ou usando o celular, computador, tablet ou videogame. Na prática, a cada uma hora em comportamento sedentário, é recomendado se movimentar por pelo menos 5 minutos. Nesse momento, pode-se aproveitar para mudar de posição e ficar em pé, ir ao banheiro, beber água e alongar o corpo.
A Organização Mundial da Saúde recomenda a prática de 150 minutos de atividade física moderada por semana. Entre os benefícios alcançados, destacam-se:
– Redução do risco de acidente vascular cerebral (AVC);
– Diminuição da pressão arterial, reduzindo as chances de doenças cardiovasculares;
– Controle e redução das chances de desenvolver diabetes;
– Ajuda no controle do peso;
– Melhora da insônia;
– Ajuda na circulação sanguínea;
– Promove bem-estar físico e mental.
O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo é uma campanha anual que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prática regular de atividades físicas e os riscos do sedentarismo para a saúde.
Fontes:
Agência Pará
Assembleia Legislativa de Goiás
Governo do Estado de Sergipe (imagem)
Jornal da USP
Instituto do Coração de São José do Rio Preto (SP)
Ministério da Saúde
Ministério da Saúde 2
Rede Juntos
