6/7 – Dia Mundial das Zoonoses 2026

A vida na Terra é incompleta sem a interação de 3 elementos: seres humanos, animais e meio ambiente. Eles estão tão interligados que se um componente não estiver saudável, inevitavelmente a saúde dos outros será afetada. Diariamente, testemunha-se o impacto de graves problemas ambientais na vida de pessoas e animais. As doenças zoonóticas são alertas crescentes de um planeta sob estresse. Mais de 60% dos patógenos humanos são zoonóticos e 75% das infecções emergentes têm origem em animais. Algumas zoonoses, como a raiva ou o antraz, são bem conhecidas e mortais. Outras, como a hepatite E, são subestimadas, mas estão disseminadas globalmente.
Em setembro de 2021, o Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aprovou a política “Saúde Única: uma abordagem abrangente para enfrentar ameaças à saúde na interface humano-animal-ambiente” (documento em inglês), cujo objetivo é promover a coordenação e a colaboração entre as diferentes estruturas de governança de programas de saúde humana, animal, vegetal e ambiental, a fim de melhorar a prevenção e a preparação para desafios sanitários atuais e futuros na interface entre humanos, animais e meio ambiente. São de interesse prioritário para a Saúde Única os riscos que afetam os sistemas dos quais a sociedade depende: saúde, agricultura/produção animal e meio ambiente.
O Dia Mundial das Zoonoses, celebrado anualmente, comemora a administração bem-sucedida da primeira vacina contra a raiva, por Louis Pasteur, em 6 de julho de 1885, um marco na prevenção de doenças.
A campanha visa conscientizar sobre as doenças zoonóticas — infecções que se propagam entre animais e humanos, como raiva, COVID-19, Ebola, febre de Lassa, tuberculose bovina e gripe aviária, destacando a importância da vacinação, do cuidado responsável com os animais, da segurança alimentar e da higiene ambiental no controle das ameaças zoonóticas. Também promove a abordagem “Uma Só Saúde” ou “Saúde Única”, que enfatiza a colaboração entre os setores de saúde humana, animal e ambiental para prevenir futuros surtos e proteger a saúde global.
Zoonoses são enfermidades transmitidas naturalmente entre os animais e o homem, podendo ser causadas por vários agentes, como protozoários, vírus, bactérias, fungos, helmintos e rickéttsias.
Atualmente, existem mais de 200 zoonoses conhecidas no mundo. Essas doenças causam milhões de casos todos os anos e representam um importante desafio para a saúde pública.
Além disso, grande parte das novas doenças identificadas nos últimos anos também surgiu a partir de reservatórios animais. Algumas zoonoses afetam principalmente populações em situação de maior vulnerabilidade social, mais frequentemente em locais com dificuldades de acesso ao saneamento básico, moradia adequada e serviços de saúde.
Mudanças no meio ambiente e no clima também podem favorecer o aumento dessas enfermidades, especialmente as transmitidas por insetos, como mosquitos. Isso pode provocar surtos e epidemias em diferentes regiões. Por isso, as zoonoses não são apenas um problema de saúde pública. Elas também estão relacionadas às condições sociais, ambientais e à qualidade de vida da população.
As formas de transmissão variam conforme a doença. As mais comuns incluem:
– Contato direto com animais, por meio de mordidas, arranhões, saliva, sangue, urina ou fezes.
– Picada de vetores, como carrapatos, mosquitos, pulgas e flebotomíneos.
– Água e alimentos contaminados, especialmente após enchentes ou em locais com saneamento inadequado.
– Ambientes contaminados, como solo, lama ou objetos que tiveram contato com animais infectados.
– Por acidentes com materiais biológicos (Ex.: acidente com a vacina da brucelose).
As mudanças climáticas influenciam diretamente a ocorrência e a distribuição das zoonoses. O aumento da temperatura, as chuvas intensas, as enchentes e os períodos de seca podem favorecer a proliferação de vetores e alterar o comportamento de animais silvestres.
Entre os principais impactos das mudanças climáticas destacam-se:
– Aumento da população de mosquitos, carrapatos e outros vetores.
– Chuvas fortes e enchentes aumentam o risco de leptospirose e outras doenças ligadas à água contaminada.
– Secas prolongadas podem levar animais silvestres a se aproximarem das áreas urbanas em busca de água e alimento.
– Alterações ambientais fazem com que vetores passem a circular em regiões onde antes não eram comuns.
Por todos esses fatores, a vigilância em saúde precisa ser contínua e adaptada às mudanças ambientais e climáticas.
A vigilância das zoonoses envolve um conjunto de ações contínuas realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com o objetivo de proteger a saúde da população.
As principais incluem:
– Monitoramento de casos em humanos e animais;
– Investigação de fontes e de locais prováveis de infecção;
– Ações de prevenção, como vacinação animal contra a raiva e uso de coleiras impregnadas com inseticida para prevenção da leishmaniose visceral;
– Monitoramento de vetores e animais reservatórios e amplificadores de doenças;
– Coleta de amostras biológicas e análises laboratoriais;
– Educação em saúde;
– Ações de controle durante surtos ou emergências.
Cada zoonose tem características próprias, mas muitas podem ser prevenidas com medidas simples de higiene, vacinação e vigilância adequada. No Brasil, diversas zoonoses são acompanhadas pelos serviços de vigilância em saúde, entre elas:
– Esporotricose humana;
– Doença de Chagas;
– Febre Amarela;
– Febre Maculosa;
– Hantavirose;
– Raiva;
– Leishmaniose visceral;
– Leptospirose;
– Peste;
– Toxoplasmose.
Como parte das atividades alusivas ao Dia Mundial das Zoonoses, o Project One Health promove o “International Workshop on Zoonoses” e convida para uma jornada de conhecimento, colaboração e impacto — pois enfrentar as zoonoses não é apenas uma necessidade científica, mas uma responsabilidade compartilhada em prol de um mundo mais saudável e seguro.
Ao longo de 15 dias (6 a 20/7/2026), os participantes acompanharão sessões diárias que vão abordar 51 das principais zoonoses. Cada sessão é cuidadosamente estruturada para oferecer conhecimentos científicos e estratégias práticas de prevenção, controle e conscientização. Estudantes, profissionais e formuladores de políticas obterão uma compreensão abrangente dos riscos zoonóticos que envolvem a saúde humana, animal e ambiental.
Serviço:
International Workshop on Zoonoses (Project One Health Online Workshop Series)
Data: 6 a 20/7/2026
Fontes:
Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado da Paraíba
International Society for Infectious Diseases
Ministério da Saúde
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO)
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
Project One Health (Índia)
