17/10 – Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita 2026

Comemorado no terceiro sábado do mês de outubro, anualmente, o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita foi instituído pela Lei nº 13.430/2017.
A data, que em 2026 ocorre em 17 de outubro, objetiva enfatizar a importância do diagnóstico e do tratamento adequados da sífilis na gestante durante o pré-natal e da sífilis em ambos os sexos como doença sexualmente transmissível.
Sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum. A condição pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios, como sífilis primária, secundária, latente e terciária.
A transmissão ocorre por:
– Relação sexual (oral, vaginal ou anal), especialmente quando há contato com lesões, sem preservativo;
– Da gestante para a criança durante a gravidez (transmissão vertical);
– No momento do parto (transmissão vertical).
De acordo com o estágio, os sintomas da sífilis são:
– Sífilis primária: ferida geralmente única que aparece no local de entrada da bactéria, (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), normalmente de 10 a 90 dias após o contágio. Essa lesão, também conhecida como “cancro duro”, apresenta grande quantidade do Treponema pallidum, por isso há uma alta transmissibilidade da infecção nessa fase. Em geral, a lesão não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. Após alguns dias, o cancro duro desaparece sozinho, independentemente de tratamento, porém, isso não significa que houve cura da sífilis.
– Sífilis secundária: manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Aparecem entre seis semanas e seis meses desde o surgimento e a cicatrização da ferida inicial. Essas lesões têm grande quantidade de bactérias e, portanto, quando em contato, oferecem alta transmissibilidade. Pode ocorrer febre e mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. Assim como o cancro duro, essas lesões desaparecem em algumas semanas, mesmo sem tratamento, dando a falsa impressão de cura.
– Sífilis latente: é uma fase chamada assintomática, em que não aparecem sinais ou sintomas. Subdivide-se em: latente recente (até um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano de infecção). A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
– Sífilis terciária: lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas. Surge entre um e 40 anos após o início da infecção, podendo levar à morte.
Os sinais e os sintomas da condição surgem e desaparecem, mas a doença continua no organismo e, sem tratamento, pode evoluir para complicações. Daí a importância de procurar o serviço de saúde para testagem quando houver relação sexual sem preservativo, se a parceria recebeu diagnóstico de IST, ou se tiver dúvidas sobre possível exposição ao agente causador da infecção.
O diagnóstico da sífilis é feito por meio de teste rápido, gratuito e disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), com resultado pronto em até 30 minutos. É um método simples mas tão confiável quanto os testes realizados em laboratório. Após um resultado positivo (reagente), pode-se iniciar o tratamento nos seguintes casos:
– Gestantes;
– Vítimas de violência sexual;
– Pessoas sem diagnóstico prévio de sífilis;
– Pessoas com chance de não retornar ao serviço de saúde;
– Pessoas com sinais/sintomas de sífilis primária ou secundária.
Obs.: Se o resultado do teste rápido for positivo (reagente), o diagnóstico é concluído com um novo exame de sangue, que será feito no laboratório. A coleta de sangue para conclusão do diagnóstico e monitoramento do tratamento deve ser realizada no mesmo dia em que este for iniciado. Esse resultado inicial servirá como base de comparação para avaliar a resposta ao tratamento, devendo ser confrontado com os exames realizados posteriormente.
Tratamento:
O tratamento de escolha mais eficaz é com o medicamento penicilina benzatina, que poderá ser aplicado na unidade de saúde mais próxima da residência do paciente. O número de doses e o esquema a ser adotado variam conforme o estágio da sífilis, sendo fundamental a avaliação do profissional de saúde.
Pessoas com alergia à penicilina ou que já apresentaram reação importante após o uso desse medicamento, devem informar à equipe de saúde antes de iniciar a terapia para que a conduta siga o protocolo indicado em cada caso.
A sífilis tem cura, porém, quem já teve a doença, mesmo que tratada, não adquire imunidade e pode se reinfectar se tiver contato com a bactéria novamente. Por isso, é importante o uso de preservativo nas relações sexuais e a realização da testagem de rotina (pelo menos uma vez por ano para as pessoas sexualmente ativas e durante o pré-natal, na frequência recomendada em protocolo).
Prevenção:
O uso regular do preservativo interno ou externo é uma das medidas de prevenção mais importantes. O diagnóstico e o tratamento das pessoas com sífilis e de suas parcerias sexuais também são imprescindíveis, pois levam à cura e interrompem a cadeia de transmissão. Após diagnóstico ou suspeita, é preciso seguir as orientações do serviço de saúde e, quando indicado, evitar relações sexuais desprotegidas até que o indivíduo e sua (s) parceria (s) recebam avaliação e orientação, para reduzir o risco de transmissão e de reinfecção.
Sífilis em gestantes / Sífilis congênita:
Na gestação, a sífilis pode apresentar consequências severas, como abortamento, prematuridade, natimortalidade, manifestações congênitas precoces ou tardias e/ou morte do recém-nascido.
Até 50% das gestações em pessoas com sífilis não tratada terão desfechos gestacionais adversos. Recomenda-se que as gestantes sejam testadas pelo menos em três momentos, além de quando houver situações de exposição de risco/violência sexual:
– Primeira consulta pré-natal, idealmente no 1º trimestre de gestação;
– Terceiro trimestre de gestação;
– Momento do parto ou em casos de aborto.
A sífilis congênita é a infecção transmitida da pessoa gestante com sífilis não tratada, ou tratada de forma inadequada, para o bebê. Por isso, é importante realizar a testagem durante o pré-natal e, em caso de resultado positivo (reagente), tratar imediatamente gestantes e suas parcerias sexuais para evitar a transmissão vertical.
Além do risco de parto prematuro e de abortamento espontâneo, podem ocorrer malformação do feto, surdez, cegueira, alterações ósseas, deficiência intelectual e/ou morte ao nascer.
A maior parte dos bebês com sífilis congênita não apresenta sinais e sintomas ao nascimento. No entanto, as manifestações clínicas podem surgir até o segundo ano de vida (sífilis congênita precoce) ou após os dois anos de vida (sífilis congênita tardia).
Cuidados com a criança exposta à sífilis: São considerados expostos à sífilis todos os recém-nascidos de pessoas gestantes diagnosticadas com sífilis durante a gestação, mesmo que tratadas adequadamente. Essas crianças devem ser cuidadosamente avaliadas após o nascimento e a investigação para a doença deve ocorrer na hora do parto, bem como no seu acompanhamento em consultas de rotina, com a realização de testes para sífilis, conforme protocolo do Ministério da Saúde.
Cuidados com a criança diagnosticada com sífilis congênita: Em caso de confirmação do diagnóstico de sífilis congênita após a realização dos exames no momento do parto e/ou nas consultas de rotina da criança exposta à sífilis, deve-se realizar o tratamento para cura e prevenção de complicações em decorrência da infecção.
Após a alta, a criança deve permanecer vinculada à Atenção Primária à Saúde (APS/Unidade Básica de Saúde) para puericultura e seguimento, com registro das informações na Caderneta da Criança e no prontuário. O acompanhamento inclui consultas de rotina e avaliações, conforme o protocolo, para garantir que exames, condutas e retornos sejam realizados no tempo indicado. Quando necessário, o seguimento pode ser compartilhado com serviços especializados, mantendo a APS como coordenadora do cuidado.
Como a sífilis congênita ocorre devido à transmissão durante a gravidez ou no momento do parto, a prevenção se dá por meio da realização de pré-natal de qualidade, incluindo a oferta de preservativo (interno e/ou externo) e a testagem para a doença, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde.
Fontes:
Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass)
Imagem: Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST)
Ministério da Saúde
