“Seja a esperança. Seja a diferença” : 22/9 – Dia Mundial do Doador de Medula Óssea 2026


O Dia Mundial do Doador de Medula Óssea (WMDD) é uma iniciativa da World Marrow Donor Association, a maior organização dedicada ao cuidado com os doadores e ao fornecimento de informações para facilitar o processo de busca. A data foi criada em 2014 e era celebrada no 3º sábado de setembro, até o ano passado. A partir de 2026, a campanha terá data fixa: 22 de setembro.

Para a World Marrow Donor Association, o Dia Mundial é um momento para agradecer a todos os doadores de células-tronco sanguíneas ao redor do globo, bem como uma oportunidade para conscientizar o público em geral, formuladores de políticas, autoridades públicas, representantes da indústria, pesquisadores, profissionais de saúde e qualquer pessoa que tenha interesse genuíno na questão.


A medula óssea é um tecido gelatinoso encontrado no interior dos ossos. Tem a função de produzir os componentes do sangue que circula nos vasos sanguíneos: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas (células responsáveis pela coagulação do sangue).

Por meio das hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo o organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do organismo, protegendo-o de infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

Pessoas com produção anormal de células sanguíneas, geralmente causada por algum tipo de câncer, como leucemia, linfoma e mieloma e, também, as que tem uma doença chamada aplasia de medula ou pacientes cuja medula tenha sido destruída por irradiação, são as que precisam de transplante de medula óssea, ou de células precursoras.

O transplante de medula óssea consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária, por células normais, com o objetivo de reconstituir uma nova medula.

Porém, essa substituição também pode ser feita a partir de células precursoras de medula óssea obtida do sangue circulante de um doador ou do sangue do cordão umbilical.

O transplante é chamado autólogo quando a medula óssea ou as células precursoras provêm do próprio indivíduo transplantado (receptor). Ele é dito alogênico, quando a medula ou as células provêm de um indivíduo diferente (doador).

Diz-se que o doador é aparentado quando ele e o receptor são irmãos ou outros parentes próximos (geralmente pais). Quando eles não guardam parentesco ente si, o doador é classificado como não aparentado.

O receptor e o doador devem ter características celulares iguais ou muito semelhantes, para que o transplante tenha sucesso. Essa compatibilidade é avaliada por meio de exames de sangue, chamados exames de Histocompatibilidade.

Estima-se que a chance de se encontrar um doador compatível seja de 1 em 100 de doadores aparentados e 1 em 100 mil entre os não aparentados.

O procedimento para a doação de medula óssea para transplante pode ser realizado por punção da medula óssea em centro cirúrgico e sob anestesia, ou por aférese de sangue periférico – procedimento em que o sangue é processado em uma máquina (aférese) para separar as células-tronco, após o uso de uma medicação específica e sem a necessidade de internação hospitalar. A decisão sobre a forma de coleta será feita pela equipe médica, juntamente com o doador. É um processo que ocorre de forma voluntária e anônima, para ambas as partes (doador e receptor).

Quando não há um doador aparentado compatível, procura-se por um doador não aparentado compatível, por meio de um “Banco de Medula Óssea”. O Banco necessita de um número elevado de voluntários para aumentar a possibilidade de encontrar um doador compatível.

Antes da doação de medula óssea ou de células precursoras, o doador passa por exames médico e de laboratório para certificar seu bom estado de saúde. O Exame de Compatibilidade é repetido, para confirmar a compatibilidade. Não há qualquer exigência quanto a mudanças de hábitos de vida, de trabalho ou de alimentação.

No caso de doação de medula óssea por punção direta, será retirada do doador a quantidade necessária (menos de 10%), sob anestesia geral e em Centro Cirúrgico. Os doadores passam por uma pequena cirurgia de aproximadamente 90 minutos, na qual são feitas de 4 a 8 punções na região pélvica posterior para aspirar a medula. Dentro de poucas semanas a medula do doador estará inteiramente recomposta.

No caso de doação de precursores hematopoiéticos, após cinco dias de administração de um medicamento, por via subcutânea (para a mobilização de células precursoras até o sangue periférico), o doador é submetido a aférese (procedimento médico automatizado que coleta apenas um componente específico do sangue do doador), em uma ou duas vezes, para a obtenção de células-tronco. Neste caso, não há necessidade de internação nem de anestesia, sendo todos os procedimentos feitos pela veia.

Os riscos para o doador são praticamente inexistentes. Até hoje, não há relato de nenhum acidente grave devido a este procedimento. Os doadores de medula óssea costumam relatar um pouco de dor no local da punção.

Após a doação de medula óssea, o doador é liberado no dia seguinte; na de célula precursora, no mesmo dia.

Depois de um tratamento (quimioterápico ou radioterápico) que destrói a medula óssea do próprio paciente, ele recebe a medula óssea ou as células tronco do doador, como se recebesse uma transfusão sanguínea. Em semanas, o material transplantado já estará produzindo células novas e recompondo a medula óssea do receptor.


Com mais de 6 milhões de pessoas cadastradas, o Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) é o terceiro maior banco de dados de doadores do mundo. Sob a gestão do Ministério da Saúde e com financiamento exclusivo por recursos públicos, tem o respaldo do Instituto Nacional de Câncer (INCA), um dos principais órgãos que atuam na prevenção, tratamento e pesquisa do câncer no país.

O Redome tem como missão: promover ações integradas voltadas para o atendimento de excelência aos doadores voluntários, em benefício dos pacientes que necessitam de terapia celular e transplante de medula óssea.

Anualmente, mais de 125 mil novos doadores de diferentes regiões, cores e traços são incluídos no cadastro, o que coloca o registro entre os mais importantes do mundo. Afinal, quanto maior a diversidade, maior a chance de compatibilidade.

Diariamente o sistema cruza as informações genéticas de pacientes e doadores cadastrados, para verificar uma possível compatibilidade. Esse processo acontece de forma automática, incluindo tanto o registro de doadores brasileiros quanto os registros de mais de 50 países, totalizando 42 milhões de doadores voluntários e unidades de cordão umbilical em todo o mundo.


Para se tornar um doador voluntário de medula óssea, é preciso ir até o Hemocentro, realizar um cadastro no REDOME e coletar uma amostra de sangue (10 ml) para identificar os dados genéticos de compatibilidade do doador e avaliar a possível compatibilidade com quem precisa e está aguardando o transplante de medula óssea.

Caso seja preciso, o doador poderá ser chamado para uma nova coleta de sangue, igual à primeira, para melhor caracterizar o resultado do exame. Pré requisitos para tornar-se doador:

– Ter entre 18 e 35 anos de idade.
– Um documento de identificação oficial com foto.
– Estar em bom estado geral de saúde.

Após a realização do cadastro e a coleta da amostra de sangue, é fundamental que o doador mantenha seus dados sempre atualizados para garantir a comunicação em caso de possível compatibilidade, pois o Redome fará contato por meio de telefone, mensagem de WhatsApp ou e-mail.


Mais informações para tornar-se um doador de medula óssea estão disponíveis aqui!


Fontes:

Associação de Medula Óssea (AMEO)
Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Gift of Life (EUA)
Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME)
World Marrow Donor Association (WMDA) / Holanda

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