1/7 – Dia da Vacina BCG 2026

Logo ao nascer, se possível ainda nas primeiras 12 horas de vida, os bebês devem receber a vacina BCG. Conhecida por deixar aquela famosa “marquinha” na parte superior do braço direito, ela protege o organismo da Mycobacterium tuberculosis, a bactéria causadora da tuberculose.
O objetivo da vacinação precoce, considerada até hoje a melhor forma de prevenir as formas graves da doença, é justamente garantir que o sistema imunológico da criança, ainda imaturo, aprenda a se defender do bacilo que causa a enfermidade. Como a tuberculose é endêmica no Brasil, com alta incidência em todo o território nacional, o risco de contato com o microrganismo desde cedo é bastante alto.
As crianças que porventura não receberam a BCG na maternidade – a vacina não é aplicada em bebês que nasceram com peso inferior a dois quilos – devem ter a caderneta atualizada logo na primeira visita ao posto de saúde ou, o mais tardar, até os 4 anos e 11 meses, conforme preconiza o Ministério da Saúde.
Em 1º de julho de 1921, os cientistas Albert Calmette e Camille Guérin anunciavam o desenvolvimento do primeiro imunizante contra a doença milenar, até então incurável e mortal. A vacina foi aplicada em um recém-nascido que vivia em ambiente contaminado, cuja mãe morrera de tuberculose. O bebê sobreviveu e a BCG (Bacilo Calmette Guérin, em homenagem aos descobridores) ganhou o mundo nas décadas seguintes, ajudando a evitar casos e mortes pela doença.
Apesar de ser uma doença antiga, mais de 7 milhões de pessoas ainda adoecem anualmente por conta da tuberculose em todo o mundo – dessas, mais de um milhão vão a óbito, segundo a Organização Mundial da Saúde.
No Brasil, mais de 84 mil casos novos são registrados por ano, ocorrendo cerca de 6 mil mortes anuais.
Para reduzir esses números, desde 2014 o Ministério da Saúde tem colocado em prática uma estratégia global para o enfrentamento do problema. Por ser um dos países com maior incidência da doença, o país assumiu o compromisso de reduzir o coeficiente de tuberculose para menos de 10 casos por 100 mil habitantes e limitar o número de mortes para menos de 230 ao ano. Dentre as medidas elencadas no Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose destacam-se a expansão da rede de diagnósticos, a implementação de novas tecnologias de tratamento e prevenção e a consolidação de uma cobertura vacinal alta e homogênea.
Atualmente, 105 anos depois, o Dia da Vacina BCG é uma forma de resgatar a importância do imunizante que continua a ser a melhor forma de evitar formas graves da enfermidade, que pode afetar não apenas os pulmões, mas, também, ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).
Lembrar deste dia visa aumentar a conscientização sobre a importância da vacinação, promover a continuidade dos programas de imunização e incentivar pesquisas para o desenvolvimento de vacinas mais eficazes contra a tuberculose. Além disso, a data serve como um lembrete da necessidade de esforços contínuos para erradicar a tuberculose globalmente.
Transmissão, sintomas e tratamento:
A contaminação pela bactéria da tuberculose acontece, basicamente, pela dispersão no ambiente de partículas aerossóis, produzidas pela tosse, fala ou espirro de uma pessoa com a doença ativa. Calcula-se que um paciente infectado possa transmitir a doença para até 15 outros indivíduos.
Febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento são alguns dos indícios da tuberculose, mas o principal sintoma é mesmo a tosse persistente, que pode ser seca ou vir acompanhada de catarro. Caso a tosse dure por mais de três semanas, a recomendação é buscar o serviço de saúde mais próximo para que o quadro seja investigado.
O diagnóstico se dá, principalmente, por testes laboratoriais, que são feitos de forma complementar a uma avaliação clínica detalhada, além de radiografia do tórax. Já o tratamento da tuberculose é longo: dura no mínimo seis meses e inclui o uso de quatro medicamentos diferentes. Ainda nas primeiras semanas de cuidados o paciente tende a se sentir bem melhor, mas é imprescindível seguir à risca todos os protocolos terapêuticos para garantir o sucesso do tratamento.
Importante: Logo nas primeiras semanas do tratamento, a pessoa se sente melhor e, por isso, precisa ser orientada pelo (a) profissional de saúde a realizar o tratamento até o final, mesmo que os sintomas desapareçam. É importante lembrar que o tratamento irregular pode complicar a doença e resultar no desenvolvimento da tuberculose resistente aos medicamentos.
Os profissionais de saúde têm um papel muito importante em apoiar e monitorar o tratamento da tuberculose, por meio de um cuidado integral, humanizado e centrado na pessoa.
Prevenção:
Além da imunização com a vacina BCG, para reduzir o risco de transmissão da tuberculose em casa e em locais públicos, recomenda-se manter os ambientes bem ventilados e com entrada de luz solar, praticar a higiene da tosse (cobrindo a boca com o antebraço ou um lenço ao tossir e espirrar) e evitar aglomerações. Já em serviços de saúde e espaços fechados ou com alta circulação de pessoas, é importante adotar estratégias de controle da infecção, incluindo medidas administrativas e gerenciais, ações ambientais e uso de equipamentos de proteção respiratória.
Curiosidade: A BCG geralmente provoca uma cicatriz característica no local da aplicação, de até 1cm de diâmetro como resultado de uma reação do corpo ao imunizante. Existe a crença de que se não aparecer a marca no braço a imunização não obteve sucesso (“a vacina não pegou”). Isso não é verdade. Mesmo nos raros casos em que não deixa marca, a proteção da vacina é sim garantida.
Fontes:
Agência Einstein Notícias de Saúde
Imagem: Núcleo de Telessaúde de Sergipe
Instituto Butantan
Ministério da Saúde
Sociedade de Pediatria de São Paulo
