28/8 – Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento 2026

O Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, celebrado anualmente em 28 de agosto, foi instituído pela Lei nº 12.199/2010. A data tem o objetivo de conscientizar sobre este grave tipo de acidente que, em geral, acomete mulheres e crianças ribeirinhas que utilizam as chamadas “voadeiras” (pequenos barcos) para seu transporte na região.
Segundo dados da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (CPAOR), nos dois últimos anos (2024 e 2025) ocorreram 7 acidentes, 4 no estado do Pará e 3 no Amapá. Entre os anos de 2006 a 2023 foram notificados 135 acidentes na região. No mesmo período, 52 casos ocorreram no Pará e Amapá.
Ainda de acordo com a CPAOR, 93% dos casos de escalpelamento da região amazônica têm as mulheres como vítimas (preferência pelo uso de cabelos longos e soltos). Destas, 65% são crianças, 30% adultos e 5% idosos. O índice sinaliza sobre questões culturais que precisam ser repensadas.
Obs.: Os estados brasileiros que compõem a Amazônaia oriental são Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso.
Escalpelamento é o arrancamento brusco e acidental do couro cabeludo (escalpo). O desastre costuma ocorrer em embarcações precárias onde não existe nenhum dispositivo de proteção do eixo dos motores e das hélices. Desta forma, quando o motor é ligado, o eixo gira em alta velocidade. Se o indivíduo se aproxima sem a devida proteção, cordas, cordões, lenços ou cabelos podem rapidamente se enroscar no eixo, causando o acidente.
As consequências do escalpelamento podem variar dependendo da área do corpo afetada. Em muitos casos, as vítimas têm orelhas, sobrancelhas, pálpebras e parte do rosto e pescoço arrancados, o que causa grave deformação. As lesões provocam sequelas físicas e emocionais severas, podendo levar até mesmo à morte. Vários pacientes relatam dores crônicas de cabeça ou no pescoço, dificuldades na audição, na fala e na visão. Essas disfunções comprometem a qualidade de vida, o lazer e o emprego das vítimas, que muitas vezes ficam impossibilitadas de trabalhar.
Os complexos efeitos do acidente exigem assistência especializada, de longa duração, em hospitais com equipe multidisciplinar e de alto nível de complexidade.
O tratamento hospitalar consiste em cirurgia plástica reparadora e implante capilar, bem como acompanhamento psicológico. Ainda que necessário, é um processo longo, doloroso, difícil e inesperado, que impõe alterações em diversos aspectos da vida do paciente e de sua família. Desde mudanças físicas, que estigmatizam a alterações abruptas de ambiente, convivência e costumes, além de submissão a procedimentos desconhecidos, que geram medo, dúvidas, angústias, falta de colaboração e até aversão e recusa, contribuindo negativamente com a evolução da terapia.
Prevenção:
Em 2009, foi publicada a Lei 11.970 que obriga a instalação de uma cobertura nas partes móveis dos motores das embarcações para proteger os ocupantes. A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos, fornece e instala gratuitamente esta proteção. Nos anos de 2024 e 2025, foram instalados 174 kits de cobertura de eixo de motor.
Como medidas preventivas, recomenda-se aos usuários de embarcações:
– Nunca armar rede ou sentar de cabelos soltos perto do motor;
– Prender os cabelos, colocando boné ou chapéu;
– Evitar usar colares ou cordões;
– Manter as crianças sempre junto dos pais ou responsáveis.
Fontes:
– Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (CPAOR)
– CUNHA, C. B. et al. Perfil epidemiológico de pacientes vítimas de escalpelamento tratados na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, v. 27, n. 1, p. 3–8, jan. 2012.
– Imagem: Hospital Badim (RJ)
– Rádio Senado Federal
– Sociedade de Pediatria de São Paulo
