“Agindo Juntos: Construindo Comunidades Resilientes aos Mosquitos” : 20/8 – Dia Mundial do Mosquito 2026


Em 20 de agosto de 1897, o médico britânico Sir Ronald Ross comprovou que os parasitas presentes no trato gastrointestinal das fêmeas do mosquito Anopheles transmitiam a malária por meio de suas picadas, elucidando o ciclo de transmissão do Plasmodium em mosquitos e aves infectadas. O próprio cientista nomeou a data como o ‘Dia do Mosquito’.


Celebrado todos os anos, o Dia Mundial do Mosquito chama a atenção para o animal mais letal do mundo e, principalmente, para as doenças que ele transmite, de modo a conscientizar sobre os perigos de enfermidades, como malária, dengue, zika, febre amarela e chikungunya.

A campanha é um lembrete sobre a necessidade de esforços contínuos para controlar as populações de mosquitos, prevenir a transmissão de doenças e avançar na pesquisa de tratamentos e vacinas eficazes. Organizações em todo o mundo aproveitam este dia para promover medidas de controle e educar as comunidades sobre a proteção contra picadas do inseto.

Atualmente, as doenças virais transmitidas por vetores — como dengue, Zika, chikungunya e febre amarela — continuam a ameaçar bilhões de pessoas em todo o mundo e com o aumento constante dos casos de dengue em escala global, proteger as comunidades nunca foi tão importante.

Hoje, as doenças transmitidas por mosquitos matam mais de um milhão de pessoas, globalmente. Mosquitos infectam até 700 milhões de pessoas por ano. Quase uma em cada dez pessoas é afetada por eles.

As mudanças climáticas, a globalização e a urbanização estão acelerando a velocidade com que essas doenças se espalham pelas regiões. Padrões climáticos e meteorológicos extremos, como secas, ondas de calor, inundações e chuvas intensas, estão aumentando em nível mundial e à medida em que esses eventos se tornam mais severos e frequentes, criam-se condições favoráveis ​​para a reprodução desses insetos.

No ano passado, após o pior ano já registrado para a dengue, em 2024, foram notificados 4,5 milhões de casos e mais de 3.000 mortes relacionadas à doença em 103 países em 2025.

Em 2026, registrou-se até o momento 2,7 milhões de casos confirmados de dengue e mais de 4.800 mortes em mais de 90 países e territórios.


No Brasil, após uma ausência de mais de 20 anos, a dengue ressurgiu em 1981. Nos 30 anos seguintes, foram registrados sete milhões de casos.

O país tem o maior número de casos de dengue do mundo, com 3,2 milhões de casos e 800 mortes registradas de 2009 a 2014, e também foi gravemente afetado por surtos do vírus da Zika e da chikungunya nos últimos anos.

Em junho de 2024, o país atingiu a impressionante marca de 6 milhões de casos confirmados de dengue, conforme relatado pelo painel de monitoramento do Ministério da Saúde. Isso marca um aumento acentuado em relação a 2023, quando o país registrou pouco mais de 1,6 milhão casos, destacando a gravidade crescente do problema.


Os surtos das doenças transmitidas por mosquitos são imprevisíveis e os sistemas de resposta são caros, lentos e, muitas vezes, tardios demais.

O World Mosquito Program (WMP) oferece uma alternativa segura, cientificamente comprovada e econômica, já implantada com sucesso em 15 países, inclusive no Brasil.

Com o tema “Agindo Juntos: Construindo Comunidades Resilientes aos Mosquitos”, a data pretende celebrar pessoas, comunidades e organizações que tornam o trabalho do Programa possível.

De governos e agências de saúde a pesquisadores, líderes comunitários, organizações filantrópicas e parceiros, a colaboração está no centro de tudo o que é feito. Juntas, essas parcerias ajudam a gerar evidências, desenvolver capacidades locais, engajar comunidades e ampliar o acesso à proteção com a estratégia Wolbachia* ao redor do mundo.

*A Wolbachia é uma bactéria presente em cerca de 50% dos insetos, inclusive em alguns mosquitos. No entanto, não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti. Quando presente neste mosquito, ela impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela urbana se desenvolvam dentro dele, contribuindo para redução destas doenças.

O Método consiste na liberação de Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais estabelecendo, aos poucos, uma nova população destes mosquitos, todos com a bactéria.

Com o tempo, a porcentagem de mosquitos que carregam a Wolbachia aumenta, até que permaneça estável sem a necessidade de novas liberações. Este efeito torna o método autossustentável e uma intervenção acessível a longo prazo.

O Método Wolbachia, idealizado pelo World Mosquito Program, foi trazido ao Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sob a orientação do Ministério da Saúde. Suas ações seguem protocolo aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e se dividem em diferentes etapas.

As ações com o Método tiveram início em 2014, no Rio de Janeiro e, presentemente ocorrem em Campo Grande (MS) e Petrolina (PE), em parte do Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), parte de Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu e Londrina (PR) e Joinville (SC). Três municípios estão em fase de implementação: Uberlândia (MG), Presidente Prudente (SP) e Natal (RN).


Arboviroses são um grupo de doenças virais transmitidas principalmente por artrópodes, como mosquitos e carrapatos. A palavra “arbovirose” deriva de “arbovírus”, que significa “vírus transmitido por artrópodes”.

Essas enfermidades podem causar uma variedade de sintomas, desde febre leve até complicações mais sérias, sendo algumas delas potencialmente fatais. Os principais vetores são os mosquitos, em particular, os gêneros Aedes, Culex, Anopheles e pelo inseto do gênero Orthobunyavirus. Eles se tornam portadores dos vírus ao picar uma pessoa infectada e, subsequentemente, passam o vírus para outras pessoas durante suas picadas.

Dentre as arboviroses mais conhecidas, destacam-se:

Dengue: Caracterizada por febre alta, dores musculares e articulares, além de outros sintomas que variam em gravidade.

Chikungunya: Provoca febre e dores articulares intensas, muitas vezes persistindo por longos períodos.

Zika: Associada a complicações neurológicas, é especialmente preocupante em gestantes devido ao risco de malformações em seus bebês.

Oropouche: O oropouche também é considerada uma arbovirose e tem sintomas parecidos com os da dengue: dor de cabeça intensa, dor muscular, náusea e diarreia.

Febre amarela: Transmitida por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, tem elevada letalidade nas suas formas graves. Os casos confirmados decorrem do ciclo silvestre de transmissão da doença. Os sintomas incluem início súbito de febre; dores no corpo em geral; calafrios; náuseas e vômitos; dor de cabeça intensa; fadiga; dores nas costas; fraqueza.

Outras condições não virais transmitidas por mosquitos incluem:

Filariose Linfática (Elefantíase): Doença parasitária crônica causada pelo verme nematoide Wuchereria Bancrofti e transmitida pela picada do mosquito Culex quiquefasciatus (pernilongo ou muriçoca) infectado com larvas do parasita. Entre as manifestações clínicas mais importantes da Filariose Linfática estão edemas (acúmulo anormal de líquido) de membros, seios e bolsa escrotal, que podem levar a pessoa à incapacidade.

Malária: Doença infecciosa causada por parasitos do gênero Plasmodium, transmitidos para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego).


Fontes:

Imagem: Healing Hospital and Institute of Paramedical Sciences / Índia
International Society for Infectious Diseases
Ministério da Saúde
World Mosquito Program

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