“Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar” : 29/8 – Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026

O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado anualmente em 29 de agosto, foi instituído pela Lei nº 7.488/1986 com o objetivo de chamar a atenção para uma das maiores ameaças evitáveis à saúde pública. A data reforça ações de sensibilização e mobilização da população brasileira voltadas para a prevenção dos danos sociais, à saúde, políticos, econômicos e ambientais, causados pelo consumo de produtos derivados de tabaco.
Apesar da redução histórica no número de fumantes constatada nas últimas décadas, a epidemia da nicotina persiste no país, agora impulsionada pela iniciação precoce entre jovens, pelo avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) e pelas desigualdades sociais que perpetuam a exposição e o consumo.
Segundo o III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), realizado em 2023, 15,5% da população brasileira com 14 anos ou mais — cerca de 26,8 milhões de pessoas — fazem uso de nicotina, seja por cigarro convencional, dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) ou ambos. A forma mais comum é o uso exclusivo do cigarro (9,9%), seguida do uso exclusivo de DEFs (3,7%) e do uso combinado, ou dual (1,9%).
Apesar da crença difundida de que os DEFs poderiam reduzir o consumo de cigarros, os dados apontam que 77,6% dos usuários de DEFs afirmam que o dispositivo não diminuiu o hábito de fumar; apenas 8,9% pararam de fumar após a adesão a esses produtos. O quadro se agrava pelo fato de que 76,3% dos adolescentes que experimentaram DEFs mantiveram o uso e que 80,7% deles consideram fácil ter acesso a esses dispositivos, o que evidencia a vulnerabilidade dessa faixa etária.
A iniciação em idade jovem é também preocupante, uma vez que 26,1% dos fumantes começaram antes dos 14 anos, e entre os adolescentes fumantes, 37,6% relataram início precoce. Esses dados indicam que o contato com a nicotina acontece cada vez mais cedo, ampliando o risco de dependência e comprometendo gerações futuras.
Outro aspecto alarmante é o fumo passivo. O levantamento mostra que 45,2% dos adolescentes relatam que pelo menos um dos pais fuma ou fumou, enquanto 16,5% convivem com alguém que fuma dentro de casa, um índice superior ao observado entre adultos (11,7%). Além disso, quase metade dos fumantes (48,1%) admite fumar dentro da própria residência, perpetuando a exposição dos familiares.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA), responsável pelas ações de controle do tabagismo no Brasil, definiu como tema para a campanha de 2026 do Dia Nacional de Combate ao Fumo “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”.
A prática de atividade física e o tabagismo produzem efeitos opostos no organismo: enquanto a primeira fortalece os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, a segunda compromete essas funções, reduz o desempenho físico e eleva o risco de doenças crônicas. A atividade física também desempenha papel fundamental tanto na prevenção do tabagismo quanto no apoio à sua cessação, já que exercícios físicos são amplamente reconhecidos como fatores de proteção e controle para diversas doenças, em especial as crônicas não transmissíveis.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o consumo de tabaco e seus derivados mata cerca de 8 milhões de indivíduos a cada ano em todo o mundo. Destes, 1,3 milhão perde a vida em decorrência do fumo passivo: as pessoas expostas correm o risco de morrer de doenças cardíacas, derrames, doenças respiratórias, diabetes tipo 2 e câncer.
O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica desenvolvida por meio da dependência da nicotina presente nos produtos derivados do tabaco. Nos mercados nacional e internacional há uma variedade de produtos de tabaco que podem ser usados de diversas formas: fumados, inalados, aspirados, mascados ou absorvidos pela mucosa oral. Todos contêm nicotina, que causa dependência. Além disso, aumentam o risco de desenvolver doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs).
Além da dependência, o uso de tabaco está relacionado a mais de 20 tipos de câncer, destacando-se o de pulmão, boca, lábios, garganta (faringe e laringe) e esôfago, sendo responsável por 25% de todas as mortes por câncer no mundo. O fumo e o uso de tabaco sem fumaça também podem causar câncer.
Os fumantes correm um risco significativamente maior de desenvolver leucemia mieloide aguda; câncer nas cavidades nasais e paranasais; câncer colorretal, renal, hepático, de pâncreas, estômago ou ovário; e câncer do trato urinário inferior (incluindo bexiga, ureter e pélvis renal).
Alguns estudos também demonstraram uma ligação entre o tabagismo e o risco aumentado de câncer de mama, particularmente entre as mulheres que fumam muito e as que começaram a fumar antes da primeira gravidez. Sabe-se, também, que fumar aumenta o risco de câncer do colo do útero em mulheres infectadas com o papilomavírus humano (HPV).
Outros malefícios:
Apenas alguns cigarros por dia, o fumo ocasional ou a exposição ao fumo passivo aumentam o risco de doenças cardíacas. Fumantes de tabaco têm até duas vezes mais risco de derrame e quatro vezes mais risco de doenças cardíacas. Além disso, há maior probabilidade de sofrer de infertilidade e disfunção erétil, risco aumentado de desenvolver psoríase e doenças oculares como catarata e glaucoma.
Fumantes adultos têm ainda maior probabilidade de sofrer perda auditiva, desenvolver diabetes e demências como o Alzheimer. O uso de tabaco e a exposição à fumaça do tabaco durante a gravidez aumentam o risco de morte fetal e de aborto espontâneo. Crianças em idade escolar expostas aos efeitos nocivos do fumo passivo também estão sob risco de asma. Crianças com menos de 2 anos de idade expostas ao fumo passivo em casa podem ter comprometimentos na audição capazes de levar à surdez.
O uso do tabaco também pode afetar negativamente as interações e relacionamentos sociais, pois há restrições e espaços para fumantes, saídas constantes para fumar, o que pode levar ao isolamento social. Além disso, há gastos mensais com cigarros e assistência médica. O tabagismo sobrecarrega a economia global com cerca de US$ 1,4 trilhão em custos de saúde para o tratamento de doenças causadas pelo tabaco e a perda de capital humano devido a doenças e mortes atribuíveis ao hábito de fumar.
Tratamento:
Em meio a todas as consequências negativas do uso do tabaco existe tratamento para aqueles que desejam parar de fumar. No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva, individual ou em grupo e, se necessário, terapia medicamentosa.
O tratamento tem como objetivo a aprendizagem de um novo comportamento, através da promoção de mudanças nas crenças e desconstrução de vinculações comportamentais ao ato de fumar. O uso de medicamentos tem um papel bem definido no processo de cessação do tabagismo, que é o de minimizar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina, facilitando a abordagem intensiva ao tabagista.
Para a celebração deste Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026, o INCA promove uma solenidade de abertura da campanha, no dia 27 de agosto, quinta-feira, às 10h, com transmissão pela TV INCA.
A programação está disponível aqui!
Notícia relacionada: Pesquisadores divulgam nota técnica sobre cigarros eletrônicos e desinformação. Fonte: Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz)
Fontes:
Associação Médica Brasileira (AMB)
Imagem: Instituto Federal do Pará
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG)
Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT)
