Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose 2026


Instituída em 2012 pela Lei nº 12.604, a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose é comemorada anualmente, no período que engloba o dia 10 de agosto. Conforme a legislação, a campanha tem como objetivos:

– Estimular ações educativas e preventivas;
– Promover debates e outros eventos sobre as políticas públicas de vigilância e controle da leishmaniose;
– Apoiar atividades de prevenção e combate à leishmaniose organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil;
– Difundir os avanços técnico-científicos relacionados à prevenção e ao combate à leishmaniose.


Leishmanioses são um grupo de doenças causadas por protozoários parasitas de mais de 20 espécies do gênero ‘Leishmania‘. Os parasitas são transmitidos aos seres humanos pela picada de mosquitos fêmeas do vetor infectado, denominado flebotomíneo, e conhecido popularmente como mosquito-palha, asa-dura, tatuquiras ou birigui – um inseto minúsculo, com 2 a 3 mm de comprimento.

Existem três formas principais da doença: leishmaniose cutânea ou tegumentar (LC), leishmaniose visceral (LV) — também conhecida como calazar — e leishmaniose muco cutânea (LMC). A LC é a forma mais comum, a LV é a forma mais grave e a LMC é a forma mais incapacitante da enfermidade.

A maioria das pessoas infectadas pelo parasita não desenvolve sintomas ao longo da vida. Portanto, o termo “leishmaniose” refere-se à condição de adoecer em decorrência de uma infecção por Leishmania e não simplesmente ao fato de estar infectado pelo parasita.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstram que mundialmente mais de 1 bilhão de pessoas vivem em áreas endêmicas para a leishmaniose e correm risco de infecção. Estima-se que ocorram anualmente 30.000 novos casos de LV e mais de 1 milhão de novos casos de LC.


No Brasil, no período de 2021 a 2024, conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), foram registrados 56.448 casos de leishmaniose cutânea, dos quais 50.621 eram casos novos, representando média anual de 12.655 casos e coeficiente de detecção médio de 6,09 casos por 100 mil habitantes.

Para a LV, durante o período de 2015 a 2024, foram registrados 24.454 casos e o coeficiente de incidência médio no período foi de 1,22 casos por 100 mil habitantes.

Antes vista apenas nas áreas rurais, nos últimos anos a doença em humanos avançou para as cidades devido à maior adaptação e dispersão do vetor ao ambiente urbano e ao abandono de animais na rua. Há casos em praticamente todas as regiões do país, no entanto a infecção é considerada endêmica em estados do Nordeste e do Centro-Oeste.

As fontes de infecção das leishmanioses são, principalmente, os animais silvestres e os insetos flebotomíneos que abrigam o parasita em seu tubo digestivo, porém, o hospedeiro também pode ser o cão doméstico e o cavalo.

Embora alguns canídeos (raposas, cães), roedores, tamanduás, preguiças e equídeos possam ser reservatório do protozoário e fonte de infecção para os vetores, nos centros urbanos, a transmissão se torna potencialmente perigosa por causa do grande número de cães, que adquirem a infecção e desenvolvem um quadro clínico semelhante ao do homem.

A doença não é contagiosa, nem se transmite diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal ao outro, nem dos animais para as pessoas. A transmissão do parasita ocorre apenas pela picada do mosquito fêmea infectado.


A Leishmaniose Cutânea é uma doença infecciosa, não contagiosa, que provoca úlceras na pele e mucosas. As lesões podem ser múltiplas, única, disseminadas ou difusas. Elas apresentam aspecto de úlcera, com bordas elevadas e fundo granuloso, geralmente indolor. Nas mucosas, são mais frequentes no nariz, boca e garganta.

Quando atingem o nariz, podem ocorrer: entupimentos; sangramentos; coriza; aparecimento de crostas; feridas.

Na garganta, os sintomas são: dor ao engolir; rouquidão; tosse.

O tratamento é feito com uso de medicamentos específicos, disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), repouso e boa alimentação.


A Leishmaniose Visceral é uma doença infecciosa grave que afeta órgãos internos como fígado, baço e medula óssea e, se não tratada, pode levar a óbito em até 90% dos casos.

Os principais sintomas são: febre de longa duração; aumento do fígado e do baço; perda de peso; fraqueza; redução da força muscular; anemia.

Apesar de grave, a LV em seres humanos tem tratamento disponível na rede de serviços do SUS. Os medicamentos utilizados atualmente para tratá-la não eliminam por completo o parasito nas pessoas e nos cães. No entanto, no Brasil o homem não tem importância como reservatório, ao contrário do cão – que é o principal reservatório do parasito em área urbana.

Nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém eles continuam como fontes de infecção para o vetor e, portanto, um risco para saúde da população humana e canina. Neste caso, a eutanásia dos animais infectados é recomendada como uma das formas de controle da Leishmaniose Visceral, mas deve ser realizada de forma integrada às demais ações recomendadas pelo Ministério da Saúde.


Medidas preventivas para evitar as leishmanioses:

Não há vacina contra as leishmanioses humanas e o único imunizante para cães deixou de ser comercializado no Brasil. As medidas mais utilizadas para a prevenção e o combate da doença se baseiam no controle de vetores e dos reservatórios, proteção individual, diagnóstico precoce e tratamento dos doentes, manejo ambiental e educação em saúde, como também:

– Evitar construir casas e acampamentos em áreas muito próximas à mata;
– Fazer dedetização, quando indicada pelas autoridades de saúde;
– Evitar banhos de rio ou de igarapé, localizado perto da mata;
– Utilizar repelentes na pele, quando estiver em matas de áreas onde há a doença;
– Usar mosquiteiros para dormir;
– Usar telas protetoras em janelas e portas.


Para prevenir a leishmaniose em cães, o passo mais importante é evitar que o animal seja picado pelo mosquito-palha (flebótomo). Para isso, recomenda-se o uso de coleiras inseticidas específicas ou pipetas, com ação comprovada contra o vetor, além das medidas de controle ambiental descritas a seguir:

Manter sempre limpas as áreas próximas às residências e os abrigos de animais domésticos; realizar podas periódicas nas árvores para que não se criem os ambientes sombreados; não acumular lixo orgânico, objetivando evitar a presença de mamíferos próximos às residências, como roedores, que são prováveis fontes de infecção para os flebotomíneos.


Fontes:

Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia
Associação Paulista de Medicina (APM)
Ministério da Saúde:
Boletim Epidemiológico, v. 56, n. 17, 2025
Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral
Saúde de A a Z
Município de Espírito Santo do Pinhal (SP): imagem
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Prefeitura Municipal de Glicério (SP)

Outras Notícias

Ver todas