27/7 – Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço 2026

O Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço foi instituído durante a realização do maior encontro de especialistas neste tipo de câncer, em 27 de julho de 2014, em Nova Iorque (EUA).
Promovido pela International Federation of Head and Neck Oncologic Societies (IFHNOS) e outras organizações, tornou-se uma campanha global cujo propósito é chamar a atenção para o cuidado e o controle eficazes dos cânceres de cabeça e pescoço, aumentar a conscientização sobre fatores de risco, cessação do tabagismo, prevenção, educação pública, rastreamento, diagnóstico precoce, capacitação médica, resultados clínicos e a vida após o tratamento.
Os tumores que se desenvolvem em regiões do corpo como boca, língua, faringe, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal e da tireoide, e que afetam diretamente as funções de fala, deglutição, respiração, paladar e olfato fazem parte do grupo de cânceres de cabeça e pescoço.
Em todo o mundo, ocorrem mais de 1,5 milhão de casos e 200.000 mortes relacionadas ao câncer de cabeça e pescoço a cada ano. No Brasil, são registrados cerca de 40 mil novos casos e cerca de 13 mil óbitos por esta causa ao ano.
A doença é mais comum a partir dos 40 anos e os homens têm 2 a 3 vezes mais chances de desenvolver este tipo de câncer do que as mulheres, no entanto, a incidência em mulheres está aumentando.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), 80% dos diagnósticos da doença acontecem em fumantes ou ex-fumantes e o consumo de bebida alcoólicas está presente em 50% dos casos.
Boa parte desses diagnósticos ocorrem em razão de alguns hábitos de vida que são prejudiciais à saúde e, para se ter uma ideia, cerca de 40% dos casos poderiam ser evitados com mudanças do estilo de vida.
Dentre os principais fatores de risco que podem influenciar o desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço estão:
– Tabagismo: os fumantes têm risco 15 vezes maior do que os não fumantes de desenvolverem a doença.
– Bebida alcoólica: o consumo regular de bebidas alcoólicas aumenta o risco de desenvolver a doença.
– Papilomavírus Humano (HPV): a infecção pelo Papilomavírus Humano está associada ao desenvolvimento de câncer de garganta, base da língua e amígdalas, também conhecido como câncer de orofaringe.
– Exposição laboral: determinados agentes como, óleo de corte, amianto, poeira de madeira, poeira de couro, poeira de cimento, de cereais, têxtil e couro, amianto, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos, podem provocar cânceres de cabeça e pescoço.
Trabalhadores da agricultura e criação de animais, indústria têxtil, de couro, metalúrgica, borracha, construção civil, oficina mecânica, fundição, mineração de carvão, assim como profissionais cabeleireiros, carpinteiros, encanadores, instaladores de carpete, moldadores e modeladores de vidro, oleiros, açougueiros, barbeiros, mineiros, canteiros, pintores e mecânicos de automóveis podem apresentar risco aumentado de desenvolvimento da doença.
Sintomas:
– Ferida na boca que não cicatriza;
– Manchas esbranquiçadas na boca;
– Rouquidão;
– Nódulo palpável no pescoço;
– Dor de garganta que não melhora;
– Dor ou dificuldade para engolir ou respirar;
– Sangramento ou secreção persistente pelo nariz;
– Dor no ouvido;
– Dores de cabeça e tosse persistente.
Ao perceber algum desses sinais que persista por mais de três semanas, recomenda-se buscar avaliação médica ou do dentista (no caso de ferida na boca) para que sejam realizados os exames necessários para o diagnóstico preciso.
Quanto mais cedo o tumor for diagnosticado, maiores são as chances de cura. Em tratamentos precoces, a chance de o paciente ficar curado é entre 80 a 90%.
Tratamento:
A indicação do tratamento mais efetivo para os cânceres de cabeça e pescoço depende de alguns fatores que precisam ser avaliados de forma individual, entre eles o tipo de tumor, a sua localização e suas características, o estadiamento da doença e o perfil clínico do paciente. Dentre as opções estão a cirurgia para remoção do tumor, a radioterapia, a quimioterapia, drogas-alvo e a imunoterapia. Esses procedimentos podem ocorrer de forma isolada ou combinada. Já para o câncer de tireoide usa-se também a iodoterapia.
Obs.: Os tumores cerebrais não fazem parte do cuidado do especialista em câncer de cabeça e pescoço e sim à área de neuro-oncologia.
Prevenção:
– Não consumir nenhum produto derivado do tabaco (cigarro, narguilé, cachimbo, charuto, cigarro de palha, vaper, entre outros);
– Não consumir bebida alcoólica em excesso;
– Adotar uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, fibras e cereais;
– Manter o peso adequado;
– Praticar atividade física regularmente;
– Usar preservativo em todas as relações sexuais;
– Vacinar-se contra o HPV;
– Não se expor ao sol sem protetor solar, inclusive nos lábios;
– Realizar autoexame da boca e pescoço para identificar alterações como manchas, caroços, inchaços ou feridas;
– Manter boa higienização bucal. A ausência de higiene bucal pode ocasionar a proliferação de bactérias que fazem com que a mucosa da boca sofra as mesmas alterações provocadas pelo contato com o cigarro;
– Visitar regularmente o dentista.
Fontes:
Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP)
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP)
The Mouth Cancer Foundation (Reino Unido)
