“Acabar com o estigma. Começar o cuidado. Juntos” : 2/6 – Dia Mundial de Ação contra os Transtornos Alimentares 2026


 

Comemorado anualmente em 2 de junho, o Dia Mundial de Ação contra os Transtornos Alimentares foi criado em 2015 pela Academy for Eating Disorders.

A campanha, liderada por ativistas, voluntários e mais de 200 organizações em mais de 50 países ao redor do mundo, traduz-se em um esforço coletivo para causar impacto positivo na conscientização e no apoio aos indivíduos afetados por transtornos alimentares, promovendo a divulgação de informações baseadas em evidências e combatendo o estigma.

Esta data significativa serve como um catalisador para estimular o diálogo saudável, quebrar o estigma de longa data em torno dos transtornos alimentares e incentivar mudanças políticas vitais. Ao reunir indivíduos, famílias e profissionais, busca-se garantir que todos os afetados tenham acesso ao apoio e aos recursos de que precisam. Por meio da defesa de direitos e da colaboração internacional constrói-se um mundo mais compassivo e promove-se mudanças sistêmicas duradouras nos serviços de saúde mental em todo o mundo.

 

Transtornos alimentares são condições psiquiátricas caracterizadas por alterações persistentes nas refeições ou em comportamentos relacionados aos hábitos alimentares. Quando há alteração no consumo ou na absorção de alimentos, isso afeta a saúde física e mental do indivíduo.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, estima-se que mais de 70 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas por algum transtorno alimentar, incluindo anorexia, bulimia, compulsão alimentar e outros.

No território nacional, os dados também são alarmantes: quase 5% da população brasileira, ou seja, 11 milhões de pessoas apresentam algum tipo de transtorno alimentar.

 

Na anorexia nervosa a pessoa restringe a alimentação, geralmente iniciando com uma dieta comum e, com o passar do tempo, essa limitação se intensifica, levando a grande perda de peso. O jejum recorrente também faz parte das características apresentadas pelo transtorno. Muitos quadros de anorexia acabam levando à desnutrição.

Sinais de anorexia: Realização de dietas que se tornam cada vez mais restritivas; observação constante das embalagens de produtos e contagem de valor calórico; isolamento para não se alimentar junto da família; pesar-se e medir o corpo com frequência.

 

Na bulimia, em situações recorrentes, o indivíduo ingere uma grande quantidade de alimentos num espaço curto de tempo. A autoindução de vômito para “compensar” o episódio de compulsão é a prática mais frequente e, talvez, a mais conhecida delas. No entanto, a bulimia nervosa também pode envolver longos períodos de jejum; atividade física extenuante; uso de supostas medicações para emagrecer, bem como de laxantes e diuréticos sem prescrição médica.

Praticar atividade física excessiva e extenuante é uma característica comum tanto nos casos de anorexia quanto nos casos de bulimia.

 

A compulsão alimentar caracteriza-se por episódios frequentes de consumo descontrolado de alimentos, acompanhados de sofrimento marcante, muita culpa e vergonha. Diferentemente do que ocorre na bulimia, o indivíduo não tem comportamentos compensatórios, sendo comum o aumento considerável do peso que pode levar à obesidade.

 

Tratamento:

Transtornos alimentares são condições psiquiátricas que requerem cuidados multiprofissionais. O tratamento exige uma equipe multidisciplinar bem formada para o atendimento, é caro e longo, podendo transcorrer por uma vida inteira.

 

Consequências:

Os transtornos alimentares precisam ser identificados, diagnosticados e tratados o mais rapidamente possível, pois podem acarretar em outros problemas de saúde, levando até à morte. “A anorexia nervosa é o transtorno mental com maior taxa de mortalidade, tanto pelas complicações físicas, como as alterações cardiovasculares, por alterações psiquiátricas e por suicídio”, de acordo com Mara Maranhão, psiquiatra especialista em transtornos alimentares da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

É frequente que pacientes diagnosticados com anorexia nervosa ou bulimia também tenham outras doenças psiquiátricas relacionadas. Estes quadros favorecem o desenvolvimento de doenças físicas associadas à desnutrição e doenças psiquiátricas, dentre elas, depressão e ansiedade.

 

Prevenção:

A prevenção dos transtornos alimentares se dá pelo estímulo a uma alimentação saudável e adequada, livre da cultura da dieta e da culpa; estilo de vida ativo, sem foco exclusivo no peso e que incentive a construção de uma imagem corporal positiva.

 

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza atendimento para pessoas em sofrimento psíquico por meio dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada para o cuidado e desempenha papel fundamental na abordagem dos Transtornos Mentais, principalmente os leves e moderados, não só por sua capilaridade, como também por conhecer a população, o território e os determinantes sociais que interferem nas mudanças comportamentais, dispondo de melhores condições para apoiar o cuidado.

Diferentes níveis de complexidade compõem o cuidado, sendo os CAPS – Centro de Atenção Psicossocial, em suas diferentes modalidades, pontos de atenção estratégicos da RAPS. Serviços de saúde de caráter aberto e comunitário, constituído por equipe multiprofissional e que atua sobre a ótica interdisciplinar, podem ser encontrados.

 

Com a finalidade de aumentar a compreensão sobre os transtornes alimentares, a Academy for Eating Disorders formulou uma declaração de princípios e pontos em comum chamada de “as nove verdades”:

– Verdade nº 1: Muitas pessoas com transtornos alimentares parecem saudáveis, mas podem estar extremamente doentes.

– Verdade nº 2: As famílias não têm culpa e podem ser as melhores aliadas dos pacientes e profissionais de saúde no tratamento.

– Verdade nº 3: Um diagnóstico de transtorno alimentar é uma crise de saúde que interrompe o funcionamento pessoal e familiar.

– Verdade nº 4: Transtornos alimentares não são escolhas, mas doenças graves de influência biológica.

– Verdade nº 5: Transtornos alimentares afetam pessoas de todos os gêneros, idades, raças, etnias, formas e pesos corporais, orientações sexuais e níveis socioeconômicos.

– Verdade nº 6: Transtornos alimentares representam um risco aumentado de suicídio e complicações médicas.

– Verdade nº 7: Genes e ambiente desempenham papéis importantes no desenvolvimento de transtornos alimentares.

– Verdade nº 8: Genes por si só não predizem quem desenvolverá transtornos alimentares.

– Verdade nº 9: A recuperação completa de um transtorno alimentar é possível. Detecção e intervenção precoces são importantes.

 

Fontes:

– Agência Brasil
– Agência Senado
– Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso)
– CARDOSO, D.; ALMEIDA, M.C. de. Transtornos alimentares: quando a relação com a comida se torna prejudicial / Associação Brasileira de Psiquiatria, 2024
Ministério da Saúde
World Eating Disorders Day

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