“Vamos expor os falsos atrativos e combater o vício em tabaco e nicotina” : 31/5 – Dia Mundial Sem Tabaco 2026

O Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, anualmente, foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre os riscos à saúde e mortes evitáveis associados ao uso do tabaco e defender políticas eficazes para reduzir o seu consumo.
O tabagismo é a maior causa de óbito evitável em todo o mundo sendo responsável pela morte de um em cada 10 adultos. Todos os anos, 8 milhões de pessoas perdem a vida por problemas relacionados ao consumo de tabaco. Além disso, o impacto nocivo da indústria do tabaco no meio ambiente é vasto e crescente, adicionando uma pressão desnecessária aos já escassos recursos e ecossistemas frágeis do planeta: destrói o meio ambiente e prejudica ainda mais a saúde humana por meio do cultivo, da produção, da distribuição, do consumo e dos resíduos pós-consumo.
Dados globais mostram que 15 milhões de adolescentes (de 13 a 15 anos) em todo o mundo utilizam cigarros eletrônicos (vapes) e 40 milhões consomem tabaco.
Nos países onde há indicadores disponíveis, adolescentes têm, em média, nove vezes mais probabilidade de usar cigarro eletrônico (vape) do que adultos.
Entre os jovens brasileiros o cenário é alarmante. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) revelam que a experimentação de cigarros entre estudantes de 13 a 17 anos atingiu 18,5%, com índices ainda maiores em escolas públicas (19,8%).
A indústria tem utilizado estratégias astutas para camuflar os perigos da nicotina. Entre elas, destacam-se o uso de aditivos e aromatizantes com sabores doces, marketing agressivo em mídias digitais e o design de produtos que remetem a balas ou acessórios modernos.
Os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF), conhecidos como vapes, são a principal face dessa nova ameaça. Apesar de sua fabricação e venda serem proibidas no Brasil desde 2009, eles são facilmente encontrados e comprados pela internet. Segundo a professora e pneumologista Leila Steidle, os cigarros eletrônicos são uma “armadilha” com aparência inofensiva, mas que contêm mais de 2 mil substâncias químicas, muitas delas cancerígenas.
Além dos conhecidos dispositivos eletrônicos, observa-se ainda a ascensão dos “snus” e “pouches” (tabaco moído e sachês de nicotina derivada do tabaco e sintética). Sem padronização internacional clara, o usuário desconhece a dose consumida. Estes produtos, posicionados entre a gengiva e o lábio, são comercializados sob a falsa premissa de serem alternativas “limpas”, mas representam riscos clínicos severos.
A liberação de nicotina nesses produtos ocorre de forma gradual pela mucosa oral e sublingual. Frequentemente, são alcalinizados para facilitar a absorção de altas concentrações de nicotina, o que confere um forte potencial de dependência. O “snus” pode conter aproximadamente 4.000 substâncias químicas, das quais pelo menos 30 são comprovadamente cancerígenas.
A exposição à nicotina, mesmo sintética, prejudica o desenvolvimento cerebral em jovens, acentuando quadros de ansiedade e déficit de concentração. O uso está associado a lesões orais diretas e a um potencial risco cardiovascular elevado. “Essas estratégias camuflam os perigos reais do uso da nicotina e ameaçam os avanços conquistados nas últimas décadas no controle do tabaco”, destaca a professora.
Neste Dia Mundial sem Tabaco, a OMS quer chamar a atenção dos tomadores de decisão e responsáveis por políticas públicas para as ações que podem ser implementadas no controle do tabagismo:
– Proibir os sabores e torná-los coisa do passado.
– Regular o design do produto. Menos atraente. Menos viciante. Menos tóxico. Menos prejudicial.
– Embalagem simples. Reduz os atrativos, salva vidas.
– Proibir a publicidade, a promoção e o patrocínio.
– Espaços públicos livres de tabaco e nicotina. O ar limpo é um direito de todos. Proteção para as pessoas.
– Apoiar a cessação do tabagismo. Romper o ciclo da dependência da nicotina.
– Aumentar os impostos. Menos acessível. Menos disponível.
Líderes e instituições de saúde pública do Brasil, Colômbia, México e Uruguai estão entre os homenageados com o Prêmio do Dia Mundial Sem Tabaco 2026 concedido pela Organização Mundial da Saúde em reconhecimento aos avanços no controle do tabaco.
O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. De acordo com a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde [CID-11], ele integra o grupo de “transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento” em razão do uso da substância psicoativa.
O consumo do tabaco contribui para o desenvolvimento dos seguintes tipos de câncer: leucemia mieloide aguda; câncer de bexiga; câncer de pâncreas; câncer de fígado; câncer do colo do útero; câncer de esôfago; câncer de rim e ureter; câncer de laringe (cordas vocais); câncer na cavidade oral (boca); câncer de faringe (pescoço); câncer de estômago; câncer de cólon e reto; câncer de traqueia, brônquios e pulmão.
Além de estar associado às doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo também é fator de risco para outras enfermidades, tais como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.
O tabaco fumado em qualquer uma de suas formas causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão e contribui de forma significativa para acidentes cerebrovasculares e ataques cardíacos mortais. Os produtos de tabaco que não produzem fumaça também estão associados ou são fator de risco para o desenvolvimento de câncer de cabeça, pescoço, esôfago e pâncreas, assim como para muitas patologias buco-dentais.
No Brasil, 477 pessoas morrem a cada dia por causa do tabagismo. R$153,5 bilhões são os custos dos danos produzidos pelo cigarro no sistema de saúde e na economia e 145.077 mortes anuais poderiam ser evitadas. Quanto às mortes anuais atribuíveis ao tabagismo: 40.567 correspondem à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), 30.871 a doenças cardíacas, 29.352 a outros cânceres, 26.583 ao câncer de pulmão, 20.010 ao tabagismo passivo, 11.745 à pneumonia e outras causas, 9.513 ao acidente vascular cerebral (AVC) e 5.294 a diabetes tipo II.
Desde o final da década de 1980, sob a ótica da promoção da saúde, a gestão e a governança do controle do tabagismo no país vêm sendo articuladas pelo Ministério da Saúde por meio do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes e a consequente morbimortalidade relacionada ao consumo de derivados do tabaco, seguindo um modelo lógico no qual ações educativas, de comunicação, de atenção à saúde, junto ao apoio, a adoção ou o cumprimento de medidas legislativas e econômicas, se potencializam para prevenir a iniciação do tabagismo, promover a cessação de fumar, proteger a população da exposição à fumaça ambiental do tabaco e reduzir o dano individual, social e ambiental dos produtos derivados do tabaco.
Como parte das comemorações deste Dia Mundial sem Tabaco, a OMS promove o evento global: “Exposing industry tactics behind nicotine pouch expansion and the regulatory implications”
Data: 28/5/2026, às 8h (Horário de Brasília, Brasil)
Inscrições disponíveis aqui!
Também em alusão à data, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) promove o evento regional: “Productos diseñados para captar nuevas generaciones: desenmascaremos las tácticas de las industrias de tabaco y nicotina”
Data: 3/6/2026, às 12 h (Horário de Brasília, Brasil)
Inscrições disponíveis aqui!
O INCA promove e articula com as secretarias estaduais e municipais de Saúde e de Educação dos 26 estados e do Distrito Federal — além de outros setores do Ministério da Saúde e do Governo Federal — uma grande atuação nacional destinada a promover a conscientização e a educação sobre o tema.
Evento “Dia Mundial sem Tabaco 2026”
Dia: 28/05/2026, às 10 h
Local: Teatro Assist — Rua Senador Dantas, 45 (Centro, Rio de Janeiro)
Público: interno e externo
Vagas presenciais: 100
Inscrições gratuitas aqui!
Transmissão pelo canal do Inca no YouTube
Conteúdos relacionados:
– Tratamento do tabagismo no SUS
Fontes:
Instituto Nacional de Câncer (INCA)
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
