“Não é só dor nas costas” : 2/5 – Dia Mundial da Espondilite Anquilosante 2026

O Dia Mundial da Espondilite Anquilosante (EA), celebrado em todo o mundo no primeiro sábado de maio, é uma data anual dedicada a aumentar a visibilidade da doença e gerar conscientização sobre o impacto físico, mental e emocional provocado à vida das pessoas com a condição e doenças associadas.
A campanha é promovida pela Axial Spondyloarthritis International Federation (ASIF), entidade com cerca de 60 organizações de pacientes associadas em mais de 45 países.
O tema escolhido para 2026: “Não é só dor nas costas” – pretende chamar a atenção para o fato de que a EA é frequentemente confundida com uma simples dor nas costas, mas que se trata de uma enfermidade inflamatória crônica que pode afetar muito mais do que a coluna vertebral.
Além de dor e rigidez, as pessoas acometidas podem apresentar fadiga, mobilidade reduzida e condições relacionadas, entre outras. Muitos desses sintomas são invisíveis, mas têm um impacto real no dia a dia e na qualidade de vida de cerca de 0,1% a 1,4% da população.
A EA faz parte de um grupo de doenças reumáticas inflamatórias denominadas espondiloartrites, que compartilham características clínicas e genéticas. É uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunológico, que normalmente protege o corpo de infecções e doenças, passa a atacar de maneira errada os próprios tecidos saudáveis; nesse caso, o alvo principal são as articulações da coluna e as sacro-ilíacas, que conectam a coluna lombar à pelve. Isso resulta em dor e rigidez na região lombar, quadris e nádegas. Também pode afetar outras articulações do corpo, bem como tendões e ligamentos, levando à dor crônica, rigidez e redução da mobilidade.
A doença acomete principalmente homens jovens (<45 anos), e o acompanhamento reumatológico é essencial para o controle dos sintomas e prevenção de complicações.
Os sintomas variam em intensidade e localização. Os mais comuns incluem:
– Dor nas costas e nádegas: especialmente na parte inferior das costas, com tendência a piorar durante a noite e pela manhã, aliviando com o movimento e exercício.
– Rigidez articular: predominantemente após o repouso, como ao acordar, resultando em sensação de “coluna travada”.
– Diminuição da mobilidade: a inflamação contínua pode levar à fusão das vértebras, limitando a flexibilidade da coluna, especialmente em casos sem tratamento adequado.
– Fadiga: a inflamação crônica pode gerar cansaço extremo, dificultando tarefas diárias.
– Inflamação de articulações periféricas e ênteses: além da coluna e sacro-ilíacas, articulações como ombros, quadris e joelhos também podem ser afetadas. As entesites (inflamação nos locais de inserção dos tendões) são comuns, como fascite plantar e inflamação do tendão de Aquiles.
Outras manifestações:
– Uveíte: inflamação dos olhos, causando dor, vermelhidão e sensibilidade à luz.
– Psoríase: quando associada à espondiloartrite, é chamada de Artrite Psoriásica.
– Inflamação intestinal: relacionada à Doença de Crohn e à retocolite ulcerativa, é conhecida como Espondiloartrite Enteropática.
Diagnóstico precoce:
O diagnóstico precoce é crucial para prevenir a progressão da doença e evitar complicações como anquilose (fusão das articulações), perda de mobilidade e inflamação em outras áreas do corpo, como coração e pulmões.
O diagnóstico pode ser desafiador, especialmente nos estágios iniciais, devido à similaridade dos sintomas com outras condições, como a dor lombar mecânica.
Causas:
Ainda não se sabe as causas exatas dessa resposta imunológica inadequada, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais desempenhem um papel importante no desenvolvimento da espondiloartrite. Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvê-la, incluindo:
– Genéticos: ter o gene HLA-B27 é um dos maiores fatores de risco para a espondiloartrite. No entanto, nem todas as pessoas com esse gene desenvolvem a doença, o que sugere que fatores ambientais também a influenciem.
– Histórico familiar: pessoas com familiares que têm espondiloartrite ou outras doenças autoimunes estão em maior risco.
– Idade: geralmente se desenvolve em adultos jovens, frequentemente entre os 20 e 40 anos.
– Sexo: embora a doença possa afetar tanto homens quanto mulheres, algumas formas tendem a ser mais comuns em homens.
Tratamento:
Embora a espondiloartrite não tenha cura, os tratamentos existentes – que geralmente envolvem uma combinação de medicamentos, fisioterapia e mudanças no estilo de vida – são eficazes para controlar os sintomas e evitar a progressão da doença.
Recomendações:
– Não se descuidar da prática dos exercícios posturais e respiratórios indicados pelo fisioterapeuta. A imobilidade acelera a evolução da doença;
– Optar por uma dieta balanceada que ajude a controlar peso;
– Procurar manter a postura correta sempre, qualquer que seja a situação;
– Escolher um colchão firme e sem ondulações para manter a coluna estável, enquanto estiver dormindo ou descansando;
– Não se automedicar para aliviar a dor ou o desconforto. Procurar assistência médica para diagnóstico e tratamento.
Fontes:
Axial Spondyloarthritis International Federation (ASIF)
Dr. Dráuzio Varella
Portal da Reumatologia
Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
Sociedade Brasileira de Reumatologia
